Sócrates anuncia mexidas no IRS e no IMI para combater a crise
JOÃO PEDRO HENRIQUES ORLANDO ALMEIDA (foto)
Entrevista. Primeiro-ministro na RTP1
Chefe do Governo promete também taxar lucros das petrolíferas
José Sócrates continua a dizer que não vai baixar os impostos ("é uma aventura"). Mas afinal vai mesmo, pelo menos, mexer-lhes. Ontem, entrevistado na RTP-1, o primeiro-ministro anunciou que o Governo irá alterar as regras do IRS e do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) para que as famílias mais desfavorecidas tenham melhores condições para enfrentar os sucessivos aumentos das taxas de juro do crédito à habitação.
Segundo explicou, as deduções do IRS devidas por quem tem crédito à habitação passarão a ser diferenciadas, aumentando para quem tem menores rendimentos (actualmente são iguais para todos, independentemente dos escalões). Ao mesmo tempo diminuirá o IMI. Escusou-se, porém a avançar pormenores ("não gostaria de me comprometer com detalhes").
Num outro passo, confirmou que o Governo vai taxar adicionalmente as mais-valias das petrolíferas.
Vinte e quatro horas depois de Manuela Ferreira ter sido, na TVI, pela primeira vez entrevistada como líder do PSD, José Sócrates foi à RTP responder ao desafio que a ex-ministra das Finanças lhe fez para mostrar os estudos que justificam o pacote governamental dos investimentos públicos. A resposta foi veemente: "O problema não é haver estudos. É lê-los. Estão publicados, estão na net", disse o primeiro-ministro, que acusou Ferreira Leite de retomar o "discurso da tanga" de Durão Barroso em 2002. "Este é um filme já visto. Significa que o país deve baixar os braços", disse, fazendo um apelo aos novos dirigentes do PSD: "Parem para pensar!"
Sócrates admitiu que a crise petrolífera e financeira foi uma surpresa ("esperava que 2008 e 2009 fossem anos de convergência") para o Governo. Contudo, sublinhou sempre que a crise veio de fora: "Em tudo o que dependia do Governo, tivemos bons resultados." E mostrou-se confiante: "Já vencemos uma crise interna. Vamos vencer esta."
Voltou, no fim, a não esclarecer se será ou não recandidato em 2009.|