Operação. Há um ano que o grupo ultranacionalista Ergekenon era investigado
21 detenções coincidem com pedido para ilegalizar partido islamista no poder
Horas antes de o procurador-geral da Turquia apresentar no Supremo Tribunal um pedido para a ilegalização do Partido da Justiça e Desenvolvimento, o AKP do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, a polícia deteve 21 pessoas suspeitas de estarem a planear um golpe de Estado. Os alegados golpistas, entre os quais dois generais na reserva e vários jornalistas, teriam planos para derrubar um Governo que acusam de querer islamizar a Turquia.
Os generais de quatro estrelas Hursit Tolon e Sener Eruygur são as figuras de maior destaque ontem detidas. Ambos ocuparam os mais altos cargos nas Forças Armadas turcas - consideradas as garantes da laicidade do Estado imposta pelo seu fundador Mustafa Kemal Ataturk e protagonistas de três golpes de Estado nos últimos 50 anos - e farão parte do Ergenekon. A rede ultranacionalista que terá planeado atentados e assassínios contra figuras islamistas está a ser investigada há um ano. O inquérito já levou à detenção de meia centena de pessoas, entre elas ex-militares, políticos, jornalistas e advogados.
As detenções de ontem e o pedido de ilegalização do AKP - que analistas citados pelo diário britânico The Guardian garantem que o Supremo vai aprovar - mergulharam a Turquia numa crise política, que se reflectiu na queda da bolsa turca. Segundo o The Independent, esta crise pode prejudicar as negociações para a adesão da Turquia à UE e levar à antecipação das legislativas. O AKP, no poder desde 2002, acusa os os adversários de estarem a preparar um "duplo golpe de Estado", escreveu o colunista liberal Cuneyt Ulsever no diário turco Hurriyet.
Além da ilegalização do AKP, O procurado-geral Abdurrahman Yalcinkaya pediu ainda ao Supremo para proibir as principais figuras do partido de terem actividade política durante cinco anos. Esta proibição incluiria o primeiro-ministro Erdogan e o Presidente, Abdullah Gul.|