Lech Kaczynski diz que só ratifica se irlandeses também o fizerem
PATRÍCIA VIEGAS
Tratado de Lisboa. Presidente da Polónia torna mais difícil o isolar a Irlanda
França insiste no dever moral que o líder polaco tem de assinar o texto
Após lançar a confusão no primeiro dia da presidência francesa da UE, Lech Kaczynski esclarece agora que ratifica o Tratado de Lisboa se os irlandeses também o fizerem, mas de livre e espontânea vontade.
"No caso de os irlandeses mudarem de opinião, não sob pressão, mas sem mudar a sua Constituição, então não há obstáculo do lado da Polónia", garantiu ontem o chefe do Estado polaco em entrevista à AFP.
Esclarecendo que não quer "travar o processo de ratificação", Kaczsynki disse que a opinião dos irlandeses deve ser levada em conta, "havendo sempre o direito de mudar".
Kaczynski veio, assim, esclarecer a entrevista que dera a um jornal polaco e na qual sugerira que já não fazia sentido ratificar o texto. As declarações foram lidas como uma recusa em assinar o acto de ratificação - para concluir o processo na Polónia.
A presidência francesa da UE escudou-se de imediato no dever que o líder polaco, conservador, teria em honrar a palavra dada sobre o documento que substitui o Tratado de Nice. Sarkozy pediu a Kaczynski que honre a sua própria assinatura - esquecendo que não foi ele quem assinou o texto em Lisboa, mas o primeiro-ministro, Donald Tusk, e o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Apesar das dificuldades, os apelos para que o processo de ratifica-ção continue sucedem-se, estando a chanceler alemã, Angela Merkel, a tentar ajudar Sarkozy ao máximo. Mas agora isolar a Irlanda parece tornar-se cada vez mais difícil.|