No rescaldo do atentado de ontem em Jerusalém, o Knesset aprovou, em primeira leitura, duas leis que dá ao Governo a capacidade de retirar a cidadania a árabes israelitas envolvidos em actividades terroristas, assim como às suas famílias, e a autorização de residência aos acusados palestinianos
Condutor do 'bulldozer' era pai de dois filhos "Há um limite para a própria democracia. É chocante que uma pessoa que recebeu um cartão de identidade azul [que lhe dá liberdade de movimentos] o use para realizar ataques terroristas", disse Nissan Slomiansky, deputado do Partido Nacional Religioso e um dos proponentes das duas leis que foram, ontem, aprovadas em primeira leitura pelo Parlamento israelita.
As leis, que terão ainda de ser aprovadas em segunda e terceira leituras, dão ao Ministério do Interior o poder para, por um lado, anular a autorização permanente de residência e , por outro, retirar a cidadania a todo o que for condenado por actividades terroristas e à sua família.
O primeiro-ministro, Ehud Olmert, que se encontrava no Knesset, ao ser informado do atentado ordebou que a casa do kamikaze fosse de imediato demolida. A decisão - uma prática que vem do mandato britânico na Palestina - foi aplaudida por vários deputados que exigiram ainda a expulsão para a Faixa de Gaza da família do kamikaze.
Uma das pessoas que aplaudiu a decisão de Olmert foi precisamente Ehud Barak, o homem que em 2005 - quando chefiava a pasta da Defesa- apelou ao fim das demolições.
"Allah Akbar", terá gritado Husam Taysir Dwayat ao carregar no acelerador do bulldozer, que lançou contra um autocarro e vários carros na rua de Jaffa - uma das principais artérias de Jerusalém. O ataque, que apanhou todos desprevenidos, fez quatro mortos - além de Dwayat - e 45 feridos, entre eles alguns bebés. O balanço teria sido muito mais grave, não fosse um militar ter conseguido guindar até à cabine do bulldozer e ter abatido o palestiniano.
O atentado perpetrado por Dwayat, oriundo da aldeia de Sour Baher, em Jerusalém Oriental, foi reivindicado por vários grupos: as Brigadas dos homens livres da Galileia (ligadas ao Hezbollah), as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa (ligadas à Fatah do Presidente palestiniano, Mahmud Abbas) e a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP). David Cohen, responsável da polícia israelita, minimizou, porém, estas reivindicações. "Pareceu um acto espontâneo", afirmou.
Saeb Erakat, negociador palestiniano e próximo de Abbas, condenou o ataque enquanto o Hamas, embora afirmando que desconhecia o que estava por detrás da acção, considerou-a "uma reacção natural à agressão israelita".
"Estamos todos em choque. Quando me disseram o que aconteceu comecei a amaldiçoar Husam porque foi a primeira vez que ele fez uma coisa assim", disse Salayan Weyed, amigo da mulher do kamikaze, cuja família, embora reconhecendo que ele era um muçulmano devoto, afirmou-se surpreendida com a sua acção. A polícia revelou, entretanto, que Dwayat - casado e pai de dois filhos menores - tinha cadastro.|