Quinta, 3 de Julho de 2008
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Director: João Marcelino
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Lisboa
03.07.08
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Ex-político alemão mostra como ajudou a morrer


PATRÍCIA VIEGAS
MARCUS BRANDT-EPA
Alemanha. Bettina S, de 79 anos, receava o lar e quis pôr fim à vida

Roger Kusch quer quebrar a todo o custo o tabu da eutanásia
Ao longo de muitos anos a eutanásia foi um tabu na Alemanha por causa do programa dos nazis, que visou milhares de mulheres e crianças, consideradas como deficientes ou como mentalmente doentes. Mas o ex-ministro da Justiça do estado federado de Hamburgo, Roger Kusch, parece disposto a tudo para quebrá-lo.

Após ter inventado e apresentado uma máquina para a eutanásia, apareceu agora perante a imprensa para confessar que ajudou uma mulher de 79 anos, Bettina S, a morrer. Juiz, antigo conselheiro dos chanceleres Helmut Kohl e Gerhard Schroeder, segundo escreveu ontem o Times, Kusch tem contornado as lacunas da legislação alemã e tomado todos os cuidados para não ser preso.

No mês de Abril apresentou uma versão modificada do aparelho utilizado para injectar medicamentos nos pacientes por um longo período: acrescentou um botão que permitia aos doentes terminais controlarem o próprio equipamento e tomarem uma dose de anestésico e uma quantidade letal de cloreto de potássio.

Agora, três meses depois, não só não usou a sua máquina de eutanásia para ajudar Bettina S a morrer, como ela não era doente terminal. O máximo que tinha eram diabetes e dores provocadas pelo reumático. Apenas não queria ir para um lar e, então, decidiu que queria morrer com a ajuda do ex-ministro de Hamburgo.

Ambos decidiram fazer do suicídio de Bettina S um modelo para os que querem morrer e para obrigar o Governo alemão a mudar as leis. No sábado passado, pela manhã, ele foi ao seu apartamento, em Wurzburg, tendo a mulher preparado uma mistura de medicamentos que ela obtivera no hospital onde trabalhara. A seguir, ele deixou a casa, tendo voltado três horas mais tarde. Nessa altura ela já estava morta.

Kusch não participou nem lhe arranjou os medicamentos. Nem pode ser acusado de não ter prestado assistência porque não estava lá. Filmou tudo para apoiar a sua versão. Os críticos do ex-político democrata-cristão, o partido de Merkel, dizem que ele não deu alternativas a Bettina S nem procurou ajudá-la a esclarecer as suas dúvidas. Mas ele defende-se e diz que só quer evitar que mais alemães vão morrer à Suíça. |
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