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"Sérgio tem de ser super na Vuelta" RUI MANUEL MENDES
Entrevista. Johan Bruyneel, DIRECTOR-GERAL DA EQUIPA ASTANA E ANTIGO CICLISTA A Volta a França arranca no sábado, mas sem a Astana. Como vê essa situação? Sinto-me triste com isso. Normalmente uma grande equipa de ciclismo não consegue sobreviver sem o Tour, mas, como já ganhámos o Giro [com o espanhol Alberto Contador] e tentaremos fazer o mesmo com o Contador na Vuelta, a ausência do Tour já não é um desastre. Contudo, a exclusão é uma injustiça. A ASO (Amaury Sport Organisation) vai sair a perder porque estão a organizar uma corrida sem provavelmente o melhor corredor. A Astana está a pagar caro os casos de doping (Matthias Kessler, Alexander Vinokourov e Andrey Kashechkin) em 2007? É também por causa do que aconteceu em 2006 [alegado envolvimento num esquema de dopagem]. Os três casos de doping foram uma extramotivação para a decisão da ASO, mas por esse motivo teriam de excluir cinco equipas, o que é mais difícil. A reputação da Astana não era a melhor. Porque aceitou este desafio depois dos grandes resultados como director desportivo da US Postal/Discovery Channel? Gosto de desafios e este é um grande desafio. A direcção, a estrutura e muitos ciclistas mudaram, mas acima de tudo mudou a filosofia e a maneira de pensar, apesar de o patrocinador ser o mesmo. O ciclismo é popular no Cazaquistão e fiquei surpreendido com o que vi. Lá há uma estrutura muito boa com escolas de ciclismo, equipas amadoras, semiprofissionais e profissionais. Mesmo sem as estrelas e depois de tudo o que aconteceu, posso dizer que tivemos sucesso, trabalhando honestamente. A Astana passou de uma formação não popular para uma equipa adorada. Agora que é director-geral da Astana, que medidas tomou para acabar com os casos de doping na equipa? Adoptamos o programa antidoping de Rasmus Damsgaard. Estamos a gastar 460 mil euros em políticas antidoping [Damsgaard e passaportes biológicos]. Qual a sua opinião relativamente ao passaporte biológico [inclui, entre outras coisas, o perfil hematológico de um atleta]? Tenho fé que irá mudar o desporto, assim como a atitude dos ciclistas. Que explicação tem para a existência de muitos casos de doping na modalidade? De quem é a culpa? Não existem mais casos agora que anteriormente, mas a imprensa está mais atenta. Vocês têm de relatar isso, mas só vemos isso no ciclismo. Por exemplo, a forma como a imprensa alemã reage parece um pouco ridícula. A televisão germânica abandonou o Tour no ano passado [devido ao caso de doping de Patrik Sinkewitz], mas não tem problemas em difundir os Jogos Olímpicos de Pequim, onde também assistimos a casos de doping. A razão para o doping? Essa pergunta deve ser feita aos batoteiros, não a mim, mas suponho que tenha a ver com dinheiro. O Sérgio Paulinho veio consigo da Discovery Channel para a Astana. Quais são as qualidades do corredor português? O Sérgio é um superciclista. É um fantástico contra-relogista, bom nas montanhas, e um perfeito colega de equipa. É muito leal e é, por isso, que os nossos líderes gostam bastante dele. Não foi ao Giro de Itália por ter tido um início de ano difícil com cinco corridas. Depois, para além disso, precisamos de um super Sérgio em Setembro para ajudar o Alberto Contador a ganhar a Vuelta. Pensa que poderá alcançar uma carreira semelhante à do José Azevedo? Será diferente. O Azevedo é melhor trepador que o Paulinho. O José terminou duas vezes no top ten da Volta a França e penso que o Sérgio não será capaz de fazer o mesmo. Mas, por outro lado, o Paulinho tem uma importante medalha olímpica [de prata]. O José Azevedo foi um dos melhores ciclistas com que trabalhou? Absolutamente. Ele chegou muito tarde à nossa equipa, no fim de 2003. O Roberto Heras saiu de repente da US Postal para a Liberty Seguros e precisávamos urgentemente de alguém para o substituir, de um corredor para ajudar o Lance Armstrong nas montanhas. O seu primeiro ano foi fabuloso. Trabalhou bastante para o Lance, mas ao mesmo tempo terminou no quinto lugar da geral individual do Tour. Foi realmente um dos melhores três ciclistas nessa Volta a França. Esta é a última temporada de José Azevedo como ciclista. Pensa que daria um bom director desportivo? Penso que sim. Ele viu muitas coisas durante a sua carreira e tem experiência. Tenho a certeza de que os seus corredores terão respeito por si e isso é muito importante.| |
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