. Crianças improvisam passadiços de madeira sobre águas fétidas
Há quem admita mudar de casa por causa da má vizinhança do 'buraco' Os moradores da Rua de Santo Estêvão, no Algueirão, Sintra, estão fartos dos mosquitos e do sobressalto de viver junto a um lago artificial que fica paredes meias com as suas casas. "Com o calor começam os mosquitos e é impossível abrir uma janela", reclama Mário Monteiro, um dos moradores que se prepara para mudar da casa.
O lago surgiu nas fundações de uma obra embargada há alguns anos pela autarquia, porque a construção foi feita sobre uma linha de água. Agora, o problema maior, diz, é o perigo para as crianças da zona. "Esta rua é usada todas as tardes por dezenas de crianças e jovens que não têm outro local onde brincar" e como "a rede da vedação parece uma baliza, eles usam-na como tal", explica.
"Jogamos aqui na rua e quase todas as bolas caem lá dentro", admite Francisco, de 12 anos. O jovem faz parte de um grupo de três que brinca no local com frequência, passando facilmente pelo buraco na vedação metálica. Para chegar às bolas que caem na água, os jovens improvisaram uma rede de passadiços de madeira sobre a vegetação e o lixo flutuante. "Costumam mandar os mais novos, porque são mais leves, mas ainda há dias o meu filho de oito anos caiu lá dentro e ficou todo fedorento", conta Mário Monteiro.
Apesar do perigo, não há registo de um acidente grave, mas o morador considera que é uma questão de tempo. "Já enviámos queixas para todo o lado, mas ninguém fez nada. Devem estar à espera que morra alguém", desabafa. A situação foi denunciada há uma semana, na reunião de Assembleia de Freguesia, através de uma recomendação do Bloco de Esquerda. Os autarcas lembram que a situação se arrasta há anos e pedem "medidas urgentes antes que seja necessário fazer votos de pesar". No documento, o BE recorda o afogamento recente de um jovem numa lagoa abandonada não muito longe dali.
Contactado pelo DN, o presidente da Junta de Algueirão-Mem Martins diz estar seguro de que o assunto será resolvido com urgência. Já lá "esteve a fiscalização da câmara, que irá notificar o proprietário a aterrar o lago. Caso não o faça, tenho garantias de que a autarquia irá fazê-lo, imputando as despesas ao dono", acredita o edil. O DN tentou obter uma reacção da autarquia, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.|