Colômbia. Uma operação militar que contou com a falta de comunicação dentro da guerrilha resultou na libertação de 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), entre os quais Ingrid Betancourt e um lusodescendente. É uma importante vitória da política do Presidente Álvaro Uribe, que foi eleito em 2002 prometendo uma "mão forte" contra a guerrilha
Libertação pode ser o xeque-mate para a guerrilha Chegaram ao fim 2323 dias de pesadelo para Ingrid Betancourt. A franco-colombiana, ex-candidata à presidência, sequestrada há mais de seis anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), foi ontem libertada "em razoável bom estado" na operação militar "Jaque" (xeque). Junto com ela estão três norte-americanos (um deles lusodescendente) raptados há mais de cinco anos e 11 colombianos. Após a morte do seu líder histórico, Manuel Marulanda, em Março, este pode ser o xeque-mate do Presidente Álvaro Uribe às FARC.
"Antes de tudo quero agradecer a Deus e aos soldados da Colômbia", disse Ingrid Betancourt, nas primeiras declarações por telefone à rádio Caracol. O grupo foi recebido ontem à tarde (23.00 em Lisboa) por familiares no aeroporto de Bogotá.
De acordo com o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, os reféns foram resgatados depois de os militares se terem conseguido infiltrar ao mais alto nível nas FARC. "Como os sequestrados estavam divididos em três grupos, conseguiu-se que se reunissem num só sítio e que se facilitasse o seu transbordo para o Sul do país, para que, supostamente, ficassem directamente às ordens de Alfonso Cano", que substituiu o fundador da guerrilha, Manuel Marulanda, após a sua morte, em 26 de Março.
Os guerrilheiros que tinham os reféns em seu poder foram informados que estes seriam transportados num helicóptero de uma organização não governamental. "Coordenou-se também que César e outro dos membros do seu grupo viajassem, pessoalmente, com os sequestrados, para entregá-los a Alfonso Cano", disse Santos. César foi neutralizado quando o helicóptero, na realidade do Exército Nacional, levantou voo da margem do rio Apaporis, entre a região do Guaviare e Vaupés.
"Decidimos não atacar" os outros 15 guerrilheiros que estavam presentes no local, respeitando a sua vida, "esperando que as FARC, em reciprocidade, soltem o resto dos sequestrados", acrescentou, dizendo que a operação "Jaque" ficará na história "pela sua audácia e eficácia". Santos fez um novo pedido à guerrilha para que "deponha as armas, não se matem nem sacrifiquem os seus homens" e se "desmobilizem".
A operação foi aplaudida imediatamente em todo o mundo, tendo apanhado de surpresa a própria família de Ingrid, considerada a refém mais valiosa das FARC. "É uma alegria imensa, uma alegria indescritível, ainda não acredito", disse à AFP Lorenzo Delloye, que tinha 13 anos quando a mãe foi sequestrada. Lorenzo e a irmã, Mélanie, partiram ainda ontem à noite para Bogotá, junto com o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner.|