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"Mãe, a prova de aferição era bué de fácil, foi canja de galinha"
HELDER ROBALO e PAULA CARMO
No pátio que dá acesso à Escola de Almedina, dentro do perímetro da cidade muralhada de Coimbra, passeavam alguns turistas. Mas ontem, dentro do estabelecimento escolar, o dia era marcante. Em duas salas, alunos do 4º ano prestavam provas. Apesar de as notas não contarem para a avaliação, uma petiz reconhece: "'Tava bué nervosa no princípio", assume Mariana Galante Santos, de nove anos, mal chegou ao pé da mãe, dizendo ainda que brincou com a sua redacção: "Escrevi que gostava de ser uma caneta
", conta, a rir.
A prova aferição de Português, que ontem foi prestada por cerca de 230 mil alunos dos 4º e 6º ano de todo o País, começou às 9.45 horas e terminou às 12.15, com intervalo de 25 minutos para o primeiro lanche. O estabelecimento de Almedina, outrora palco dos famosos exames da 4ª classe, cujo figurino terminou no início dos anos 70, revive agora o regresso da primeira prova dos alunos portugueses. Dos meninos e meninas que contaram a sua experiência ao DN, todos deram nota positiva à ideia de fazer provas. João Carlos Faria, de 9 anos, foi um deles. "Respondi a tudo", disse. Também Carina Martins, de nove anos, apreciou o teste. "Havia um texto sobre computadores. Eu disse que gostava de ser um. Inventei isso e acho que correu tudo bem", Os alunos juntam-se para a fotografia e começam quase todos a falar em simultâneo. Destaca-se, no entanto, a voz de Vanessa Carvalho, de 10 anos: "Concordo com o exame, na primeira parte até acabei antes do tempo".
No Porto, o balanço é facil de fazer: o exame foi mais fácil do que o previsto. Esta foi, pelo menos, a opinião quase unânime dos alunos do 6º ano da Escola EB2/3 de Paranhos. Ricardo, Inês, Vasco e 'Ruca' garantem: "Esta prova foi mais fácil do que aquelas que a gente fez nos livros e nas aulas". Satisfeita estava também a professora de português Maria de Fátima Santos, directora de turma do 6.º D: "Ainda não vi a prova, mas daquilo que os alunos me têm dito, era bastante acessível", contou ao DN. A preparação para o exame, conta Ricardo Miguel, foi feita com "composições e a fazer as provas de aferição de um livro". "Estudava mais ou menos uma hora por dia". Já Inês Bonnaparte adianta que fez "resumos e estudava pelos livros, além de ter feito os testes do ano passado". O Vasco Alves, por exemplo, foi à Internet "para fazer jogos de português e exercícios".
Com expressões como "bué de fácil" ou "foi canja", um a um, os alunos da Escola básica da Avenida, em Viana do Castelo, chegaram ao recreio passavam poucos minutos das 11.00, todos a comentar o tema do dia: as "temidas" provas de aferição. Do outro lado das grades esperavam-nos os pais, ansiosos pelo resultado. "Um bocado nervosa, sim. Mas acho que este tipo de exame serve é para avaliar os professores, não os alunos", explicava ao DN Maria João, enquanto esperava a saída do filho João, de 11 anos.
De repente o rebuliço toma conta do pátio da escola. "Mãe! Era bué de fácil, saiu uma cena tipo para falar de computadores, mas foi canja de galinha", gritava, do outro lado das grades, o filho. A mãe garante que os últimos dias foram passados "de volta dos livros" e, apesar de "mais sossegada" com o à vontade do filho, mantém a opinião: "Não é coisa para a idade deles". Também ansiosa pela chegada do filho, João Pedro, Teresa Cardoso mostrava uma ideia diferente: "Daqui a um ano já estão a fazer exames complicados, então porque não começarem a preparar-se agora? Não vejo mal nenhum". | com PAULO JULIÃO, Viana do Castelo
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