Sábado, 17 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
17.05.08
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NARRATIVA DIFERENTE

Qualquer pessoa, vendo as televisões e lendo com alguma atenção os jornais, repara na diferença entre a informação que recebe sobre o terramoto na China e sobre os estragos causados pelo ciclone em Myanmar (antiga Birmânia). No segundo caso, a Junta Militar tem controlado ao milímetro a informação e não permite a presença de estrangeiros, tanto quanto possível; na China, pelo contrário, com os Jogos Olímpicos à porta, tornar-se-ia impossível o mesmo controlo.

A narrativa jornalística sobre os dois casos é, por isso, completamente diferente. Mais completa, eventualmente mais simpática, sobre a China, onde se seguem as descobertas de alguns sobreviventes durante dramáticas horas. De Myanmar chegam apenas números e imagens e estas limpas de cadáveres. "No meio dos destroços de uma escola, corpos por todo o lado - demasiados para serem contados", diz na manchete o The Guardian. O Suddeutsche Zeitung diz que "A China teme mais de 50 mil mortos", com uma foto de âgulo largo que mostra uma zona da província de Sichuan onde "quase não ficou pedra sobre pedra", como explica a legenda. A magnitude de 7.9 na escala de Richter devastou grandes zonas habitacionais.

O The Washington Post encontra outro ponto de interesse: "Chineses abrem a carteira para ajudar no terramoto." É que os chineses estão habituados a que o Estado trate de todas as necessidades básicas do povo e desta vez as contribuições individuais já vão em 192 milhões de dólares, com pequenas doações do equivalente a poucos dólares. O jornal americano admite que "em parte, isto é uma resposta a uma cobertura noticiosa muito aberta dos acontecimentos, com longas transmissões em directo da televisão e testemunhos de sobreviventes", por exemplo, algo muito invulgar na China. O Presidente Hu Jintao deixou-se filmar a visitar a zona onde vivem mais de dez milhões de pessoas, falando com populares vestido de forma simples. A China pediu ajuda internacional, bem ao contrário dos militares de Myanmar, que têm recusado o visto a jornalistas e até a pessoal para ajudar no socorro, enquanto a TV estatal avançava ontem já para quase 78 mil mortos.|
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