Uma nonagenária sobrevivente do genocídio no Ruanda, em 1994, foi queimada viva na passada semana por habitantes da aldeia onde vivia. Estes receavam que ela denunciasse o seu envolvimento nos acontecimentos dos anos 90, que causaram mais de 800 mil mortos entre tutsis e hutus moderados.
Geneviève Mukanyonga, de 91 anos, que perdeu os filhos no genocídio e vivia sozinha, foi assaltada um dia de manhã, atada à cama e queimada viva, segundo a confissão dos atacantes. O crime ocorreu na vila de Muhanga, no centro do país, e envolveu seis suspeitos, com idades entre os 24 e os 77 anos, alguns deles envolvidos nas pilhagens de bens das vítimas e dos que foram forçados a fugirem de suas casas em 1994.
Os criminosos receavam que a idosa os denunciasse perante os tribunais tradicionais. Estes estão autorizados a julgar todos os envolvidos no genocídio, com excepção dos principais responsáveis e dos acusados de violação, que ficam sujeitos às instâncias formais da justiça.
Um dos envolvidos no assassínio de Mukanyonga já tinha estado preso por envolvimento no genocídio, mas fora libertado após reconhecer os seus crimes no âmbito da política de reconciliação e normalização do país.
Para o dirigente da principal associação de sobreviventes do genocídio, a IBUKA, aquela política não tem em conta a segurança dos sobreviventes ao permitir, de novo, a convivência entre familiares das vítimas e os seus carrascos.| Com agências