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Sismo deixou cinco milhões sem abrigo
ABEL COELHO DE MORAIS
As autoridades chinesas anunciaram ontem que, pelo menos, cinco milhões de pessoas perderam as suas casas e outras 22 069 morreram em resultado do sismo de segunda-feira na província de Sichuan.
Este novo balanço oficial, que coloca perto dos 159 mil o número de feridos, encontra-se ainda longe do total de vítimas, reconheceram ontem responsáveis provinciais. O vice-governador de Sichuan, Li Chengyun, admitiu que só à medida que as equipas de socorro estão a chegar aos locais isolados, a dimensão da tragédia se torna evidente.
Um dos aspectos em que esta assume proporções tremendas é no número de escolas que ruíram em consequência do sismo: quase sete mil. Raros foram os estabelecimentos de ensino que permaneceram de pé ou não sofreram danos graves nas localidades mais afectadas.
O facto levou o Governo a anunciar um inquérito e prometer punições severas, caso não tenham sido respeitadas as normas de construção e segurança.
O sismo revelou a existência de sérias falhas nos edifícios da província, registando a agência Nova China o desmoronamento de mais de 200 mil casas e danos graves em quatro milhões.
A província de Sichuan está a ser visitada pelo Presidente Hu Jintao, que classificou como cruciais o dia de ontem e o de hoje para serem encontradas pessoas ainda com vida. Ontem, Hu esteve numa das cidades mais duramente atingidas pelo sismo, Mianyang, onde está confirmada a morte de oito mil habitantes .
Sichuan continua a ser afectada por réplicas, tendo ontem sucedido uma particularmente intensa, que originou mais desabamentos de casas e voltou a espalhar destroços sobre áreas anteriormente desimpedidas.
A dimensão da tragédia pode ser aferida não só pelos meios mobilizados, mas pelo significativo facto de, após ter declinado inicialmente a ajuda de equipas estrangeiras, a China deixou ontem entrar socorristas provenientes do Japão, da Coreia do Sul, da Rússia e de Singapura.| Com agências
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