Sábado, 17 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
17.05.08
dn.homepage » dn.internacional

Junta birmanesa admite quase 80 mil mortos

O último balanço das vítimas do ciclone Nargis, que devastou a Birmânia no passado dia 03, é de 77 738 mortos e 55 917 desaparecidos, num total de 133 655 pessoas, anunciou ontem a televisão estatal local.

O anterior balanço oficial referia a existência de 43 318 mortos e 27 838 desaparecidos.

Diplomatas ocidentais e várias ONG não escondem que o número de mortos poderá subir facilmente a cem mil. Uma preocupação partilhada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que advertiu a junta para a necessidade de permitir a entrada da ajuda humanitária ou ver milhares de concidadãos morrerem de fome e doença. O que "seria um autêntico crime contra a humanidade", afirmou Ban Ki-moon.

A junta militar autorizou ontem que diplomatas acreditados em Rangum visitem algumas das áreas devastadas no delta de Irrawaddy, o que deve suceder hoje. Mas não eram claras as condições da visita.

Por outro lado, autorizou também que a ajuda americana seja entregue directamente às ONG já presentes no país.

O subsecretário da ONU para as questões humanitárias, John Holmes, visita a Birmânia amanhã para pressionar a junta a adoptar uma posição de maior flexibilidade na questão humanitária.

Outro sinal de flexibilidade que surgiu ontem por parte do regime militar foi anunciado pelo comissário europeu Louis Michel, que terminou ontem uma visita de dois dias ao país. Segundo o comissário para o Desenvolvimento, mais de cem médicos provenientes de países vizinhos vão ter vistos para entrarem hoje na Birmânia e puderem juntar-se às operações de busca e salvamento em curso.

Segunda-feira realiza-se em Singapura uma reunião entre representantes das Nações Unidas e da Associação de Nações do Sudeste Asiático, que a Birmânia integra, para preparar uma conferência internacional de recolha de fundos. Esta poderia realizar-se já dia 24 na capital da Tailândia, Banguecoque.

Ontem, na ONU, o embaixador francês, Jean-Maurice Ripert, pediu uma actuação mais enérgica no sentido de convencer o regime militar birmanês a abrir as suas portas à ajuda internacional. A França tem em águas internacionais a fragata Mistral, ao largo da zona mais afectada no sul da Birmânia, mas não recebeu ainda autorização da junta para descarregar as 1500 toneladas de ajuda que transporta. |- Agências
HOMEPAGE DN NEGÓCIOS FICHA TÉCNICA CONTACTO CARTÃO GN CLASSIFICADOS