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Conflitos
Lumena Raposo editora adjunta do Mundo
A resistência que acaba por favorecer o inimigo
Hillary Clinton ganhou as primárias democratas na Virginia Ocidental. Nada de novo: o resultado estava mais que decidido à partida. Esta vitória da senadora de Nova Iorque e antiga primeira dama em nada altera, porém, a sua situação tendo em vista a escolha do candidato do partido às eleições presidenciais de 4 de Novembro próximo: Barack Obama é o favorito. E ela sabe-o. Mas, mesmo assim, resiste.
"A corrida ainda não acabou", declarou Hillary, na passada terça-feira e após as primárias em causa, garantindo, mais uma vez, que irá até ao fim, ou seja, até à convenção do partido em Agosto. Esta afirmação da mulher que mais inimigos fez enquanto esteve na Casa Branca foi, de imediato, criticada por analistas e responsáveis democratas que voltaram a defender a mesma ideia: a senadora deve abandonar a corrida para poupar Obama - que assim pode canalizar as suas energias para o ataque ao candidato republicano John McCain - e o partido, evitando mais divisões nas suas fileiras.
Hillary - que não só tem menos delegados eleitos como está a ser confrontada diariamente com a notícia de superdelegados a apoiar Obama - tem ignorado, porém, os apelos para que abandone "graciosamente" o ringue. Teimosia? Apego ao poder? Egoísmo face às consequências? Ou apenas incapacidade para aceitar a derrota? Quem sabe!
Os analistas procuram encontrar justificações para a permanência de Hillary na corrida até às primárias de 3 de Junho quando vão a votos o Kentucky, Oregon, Porto Rico, Montana e Dacota do Sul...
George Stephanopoulos, antigo conselheiro para a imprensa de Bill Clinton e hoje analista da ABC - onde tem um programa -, considera que Hillary, se tiver bons resultados, irá pressionar Barack Obama a convidá-la para ser a sua vice-presidente.
Nem todos têm, porém, esta leitura - pacífica - da permanência de Hillary na corrida. Há os que temem que a senadora esteja apenas à espera que Barack Obama "cometa uma gafe ou que se veja envolvido numa outra controvérsia", situações passíveis de inverter a tendência dos superdelegados, se não mesmo dos eleitores, a favor da "mais experiente" candidata.
Seja qualque for a razão ou a explicação que Hillary tenha, persiste a sensação e a ideia de que enquanto houver dois democratas em liça, ganha o "inimigo", isto é, o candidato republicano: McCain.|
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