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Cherie Blair Quem tem medo da ex-primeira dama?
SÓNIA PEREIRA DE FIGUEIREDO
Cherie Blair, mulher do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, lançou uma autobiografia que mais que embaraço, vem trazer luz sobre os bastidores da política da qual fez parte nos últimos dez anos. Anos de cumplicidades, segredos, lutas internas, poucas lealdades, muitas fugas de informação e embaraços, dão mote ao enredo. Mas o livro é tudo menos ficção. Cherie jura ser a verdade, agora que é livre para a dizer - não que isso a tivesse impedido antes. O título, Speaking for myself (ou em tradução livre "Falando em meu nome"), sugere que talvez queira distanciar o marido das acusações e pontos de vista muito próprios da sua personalidade volátil.
O actual primeiro-ministro, por exemplo, é acusado de falta de lealdade e de mentir. Cherie refere que o seu marido teria saído mais cedo do cargo se tivesse tido o apoio de Gordon Brown nas reformas do serviço público. Menciona também discussões acesas que havia entre Blair e Brown e de como avisava o marido de que se cedesse e concordasse com Brown não valeria a pena regressar a casa! As tão afamadas quebras de protocolo da ex-primeira dama, tornaram-na numa personalidade irritante. Apesar de negar ter tido qualquer papel político, foi longe de ser uma figura puramente estética ou tonta. Cherie não é só uma mulher por detrás de um líder, é uma mulher com um percurso académico e profissional digno de qualquer mente brilhante.
Chery nasceu em 1954, em Bury. Filha de um actor que abandonou a família quando ela tinha 8 anos, foicriada pela mãe e pela avó paterna, n uma educação católica. Do Colégio do Sagrado Coração seguiu para o curso de Direito na London School of Economics, uma das mais prestigiadas do país. No equivalente aos exames para a Ordem dos Advogados, teve as notas mais altas do seu ano.
Em 1976, preparava os exames para se tornar juiza quando conheceu Blair. Casaram em 1980 e tiveram quatro filhos. Desde que ele assumiu o cargo de primeiro-ministro, em 1997, seguindo a tradição de qualquer primeira dama, fez campanha pela luta contra o cancro da mama e pelos direitos das mulheres. Galardoada com uma medalha com o nome de Eleanor Roosevelt pelas suas acções corajosas e ideais, Cherie foi tudo menos o ideal em muitas situações-chave para os trabalhistas.
Em 2002, após um bombista suicida ter morto 19 israelitas em Jerusalém, disse que "enquanto os jovens não tiverem esperança a não ser fazerem-se explodir, nunca farão progressos". Desculpou-se após vários grupos se terem insurgido contra esta apologia do terror. Depois veio o Cheriegate, ligado à aquisição de dois apartamentos, em Bristol, feita por Peter Foster, condenado por fraude. Voltou a pedir desculpa.
Quando em Junho de 2007 Blair saía do n.º 10 de Downing Street pela última vez, Cherie deixou mais uma vez a sua marca dizendo à imprensa: "Não sentiremos a vossa falta." Engraçado. Desde então já falou a uma televisão e a vários jornais, e agora lançou este livro.|
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