Sábado, 17 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
17.05.08
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A Expo 98 e o orgulho de ser português

A Expo 98 acrescentou uma forte imagem de modernidade a Portugal, até aí apenas do fado, das velhas com buço vestidas de preto sentadas à soleira das portas e em que as pessoas andavam de burro. Por culpa da Expo, o País entrou na moda. Em 1998, Lisboa foi visitada por 1,6 milhões de turistas. O ano passado esse número foi mais do que duplicado. Em 2007, recebeu 3,8 milhões de forasteiros - e um número recorde de oito milhões de dormidas.

No momento em que se celebram dez anos sobre a exposição internacional de Lisboa, os portugueses devem orgulhar-se de si próprios quando olham para as fotografias que documentam o lametável estado de degradação dos 330 hectares onde está agora o Parque das Nações . O cemitério dos contentores, os terrenos baldios, a lixeira a céu aberto, as instalações da Galp com vista para o matadouro deram lugar a um bairro moderno, onde coabitam 20 mil pessoas e um centro de negócios, servido por magníficas peças de arquitectura, como a Gare de Oriente, e pelo Pavilhão Atlântico, que colocou Lisboa na rota dos grandes concertos e acontecimentos desportivos internacionais.

Os enormes sucessos da Expo 98 e o Euro 2004 como que obrigam Portugal a entrar na corrida pela organização do Mundial 2018. Contrariando o crónico pessimismo dos velhos do Restelo, a exposição de Lisboa abriu na data prevista, foi um êxito assinalável, esconjurou o espectro de o recinto se tornar um elefante branco como sucedera com a ilha da Cartuxa (Expo 92 de Sevilha) e funcionou como uma formidável campanha de imagem de Portugal no estrangeiro.

É um enorme desafio que o País deve aproveitar, capitalizando a capacidade de organização demonstrada no Euro 2004 para voltar a mostrar Portugal ao Mundo em 2018. Face a uma poderosa candidatura ibérica, a FIFA pouca margem de manobra terá para não dar o Mundial à Rússia ou à Inglaterra. Até porque Portugal já tem os estádios, os hotéis e uma invejável rede de auto-estradas. E dentro de dez anos terá ainda também o TGV a ligar Lisboa a Madrid e ao Porto, e um novo aeroporto em Alcochete.



O lamentável caso da caloira de Biomédicas alegadamente violada durante a Queima das Fitas de Braga obriga a uma séria reflexão sobre a reedição, no séc. XXI, de festas académicas nascidas em meados do séc. XIX, quando os universitários eram um punhado de rapazolas privilegiados e de boas famílias.

Ao contrário de outros tempos, a praxe é hoje o pretexto para abundantes e tristes episódios de crueldade para com os mais fracos. os dispendiosos trajes académicos com que os universitários se distinguem nas ruas são anacrónicos num momento em que um recém-licenciado pouco mais hipóteses tem do que o Zé Carioca de arranjar um emprego compatível com a sua formação.

Num tempo em que há Internet e telemóveis não faz sentido os universitários manterem os rituais tribais dos seus antepassados que escreviam à mão e estudavam à luz da vela. |
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