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Ecoeficiência dá lucro
Júlio Almeida jornalista
"Foi o ex-ministro Daniel Bessa que levou os empresários a avançar
Estão à espera de quê ?!" Quando os promotores da Ecoinside - Soluções em Ecoeficiência e Sustentabilidade ouviram a reacção do ex-ministro Daniel Bessa, depois de conhecer o projecto de criar a empresa, sentiram que não podiam ficar mais tempo parados.
Dois químicos (entrevistados pelo DN) um biólogo (Joaquim Guedes) na casa dos 30 anos formados pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (UP) e um jurista de 50 anos (Luís Fragoso) deram corpo à ideia do negócio que acabou por ser validada no 1º Curso de Empreendedorismo organizado com a Escola de Gestão do Porto (EGP) em 2006.
Logo que o projecto de spin-off começou a dar os primeiros passos, em 2003, antes mesmo de formalizada a empresa, os promotores procuraram potenciais clientes dando a conhecer como "abordar o ambiente de uma forma economicamente viável", relembra o director-geral, António Peres.
Se ainda há poucos anos a ecoeficiência era vista pelas empresas e organizações como um custo, o panorama mudou muito com campanhas em prol do ambiente e a necessidade de fazer poupanças financeiras.
A Ecoinside desenvolve, então, uma metodologia de trabalho que aperfeiçoou com o curso de empreendedorismo da EGP onde viria a instalar-se e ainda hoje permanece apesar de já contar com outros escritórios na cidade Invicta.
A EGP acabou por tornar-se o primeiro cliente da jovem empresa contratando-a para um levantamento dos consumos energéticos e hídricos ou da valorização de resíduos e emissão de gases para melhorar a ecoeficiência do estabelecimento.
"Com dois anos de actividade, já notámos uma receptividade grande às abordagens do que podemos fazer e vantagens a retirar, nomeadamente com a redução de custos", refere António Peres, director-geral da empresa.
BPI, Grupo Soja e Câmara de Estarreja figuram na carteira de clientes. O que distingue esta empresa prestadora de serviços, como explica Rui Brito, director financeiro, "é que não faz mera consultadoria". Vai mais longe, "ao propor soluções inovadoras que implementa responsabilizando-se pelos resultados", funcionando como "chave na mão" para ser "o departamento de ambiente ecoefiência das empresas".
Seja em projecto ou obras, as boas práticas alcançam sempre resultados. A nova piscina de Estarreja vai conseguir poupanças de 50% de água e 46% de energia. "Isto é muito significativo no conjunto dos custos correntes", diz Rui Brito.
A Ecoinside faz-se valer do know-how obtido na universidade pelos seus promotores, funcionando ainda como interface de transferência de tecnologia do mundo académico onde manter fortes ligações.
Para além de fomentar estágios de licenciados nas suas áreas de acção, a empresa tem em curso um projecto de doutoramento integrado para a rentabilização de um subproduto orgânico e outro relacionado com a criação de um sanitário ecoeficiente.
Na área da conservação da natureza, o grande cartão de apresentação é o Programa BioRia, um ambicioso projecto em curso de divulgação e conservação do ecossistema na zona protegida dos campos de Salreu, junto à Ria de Aveiro, um "paraíso de biodiversidade".
Os percursos naturais, já premiados internacionalmente, foram desenvolvidos para a Câmara de Estarreja e a observação de aves que ali nidificam chamam especialistas nacionais e estrangeiros.
Actualmente, a empresa presta serviços do género para o município da Murtosa e Parque Biológico de Gaia, entre outros clientes.
"Temos um grande projecto que vamos apresentar para uma região inteira que teve boa receptividade do organismo responsável. Confiamos muito no sucesso dessa ideia", referiu António Peres sem abrir, para já, "o jogo".
"O potencial é imenso no nosso País nesta área", diz o director geral, advogando o exemplo inglês onde a conservação da natureza envolve directamente 50.000 empregos, com grandes impactos económicos, em especial decorrente do turismo científico.
A Ecoinside tem agora em preparação um plano de negócios para "crescer", através da injecção de capital procurando encontrar eventuais parceiros ou programas de financiamento para aproveitar as oportunidades em carteira. Talvez mais fácil do que o arranque, que os responsáveis da empresa consideram ter sido "o mais difícil" deste percurso. "Fala-se muito em empreendedorismo mas os apoios não abrangem todos", confessa António Peres.|
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