Sábado, 17 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
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Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
17.05.08
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Portugal com pouca expressão nas classes mais prestigiantes


HELDER ROBALO
Num mundo onde a competição se faz na água e onde um lugar mais à frente ou atrás se decide na escolha de uma melhor rota de navegação, de um maior aproveitamento do vento, os proprietários das principais equipas de vela decidiram, no início do milénio, criar uma nova competição no mundo da vela, que surgisse como o topo do desenvolvimento deste desporto. Nascia assim, em 2001, a classe TP52, uma espécie de irmã mais velha da GP42.

As características dos dois tipos de embarcação quase não diferem. Com pesos, calados e alturas de mastro iguais, uma das maiores diferenças verifica-se no número de tripulantes. É que enquanto o TP52 tem um máximo de 15 tripulantes, uma vez que este tipo de embarcação não pode ter um peso de tripulação superior a 1200 quilos, na classe GP42 o peso máximo da tripulação não pode exceder os 800 quilos, até um máximo de dez tripulantes.

Estas são embarcações que atingem já velocidades muito apreciáveis. Basta ver que ao nível da TP52, por exemplo, o recorde de velocidade cifra-se nos 32 nós, cerca de 59,2 quilómetros/hora. Segundo os responsáveis destas classes, facilmente os barcos atingem velocidades de 25 nós, cerca de 49,2 quilómetros/hora.

Em Portugal, país com muita tradição na vela, são poucos os que se mostram interessados em patrocinar ou participar em competições destas classes. No entanto, a GP42 já conta com tripulantes portugueses, enquanto a TP52 tem um projecto - o Bigamist VI, de Pedro Mendonça - a competir no circuito internacional. Bem diferente é a realidade em Espanha, que domina, em número de barcos, o circuito internacional. Aliás, as classes gozam de tal prestígio que o próprio Rei Juan Carlos integra uma formação - a Bribon - como skipper.

No entender do presidente da Federação Portuguesa de Vela (FPV), Pedro Beckert, "é já muito importante, e prestigiante, para Portugal ter uma formação na classe TP52". Recordando que quer esta quer a GP42 são "classes com orçamentos muito grandes", o responsável da FPV recorda que estas classes estão "no topo do desenvolvimento e são muito disputadas pelas empresas". "Há que ver que estas são classes derivantes da America's Cup, que recebem muitas das tripulações que participam nesta competição", acrescenta o líder federativo.

Pedro Beckert explica ainda que a principal aposta de Portugal, ao nível da federação, "passa por manter uma pressão na formação dos atletas, de modo a conseguir colocá-los em equipas destas classes". Mais do que conseguir ter uma formação exclusivamente portuguesa. "Já é muito importante termos a competir a Bigamist VI e a participação da Quebramar", afiança.|
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