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Limar arestas em Viseu para sonhar com o título GONÇALO LOPES
As derradeiras arestas que faltam limar na selecção portuguesa serão aparadas em Viseu. A comitiva da selecção nacional parte segunda- -feira para terras de Viriato, onde Luiz Filipe Scolari, seleccionador, tentará montar uma equipa eficaz e capaz de suplantar os últimos grandes feitos. A tarefa é complicada, já que nas duas últimas grandes competições, Europeu de 2004 e Mundial de 2006, a turma das quinas foi vice-campeã e quarta classificada, respectivamente. Nestes últimos 15 dias em Portugal, o treinador brasileiro terá ainda alguns nós por desatar no que à moldagem de um grupo que luta por um título europeu diz respeito. O DN sport detectou alguns dos objectivos principais que o técnico irá tentar alcançar ainda em terras lusitanas, para assim chegar à Suíça e à Áustria com um onze definido, um grupo unido e uma nação novamente apaixonada pela sua equipa.
1 Escolha de líderes Sem jogadores como Luís Figo, Pedro Pauleta e ainda Jorge Andrade - os dois primeiros prescindiram de representar a turma das quinas após o Mundial da Alemanha de 2006 e o defesa-central está lesionado (falha este Europeu depois de também não ter marcado presença na prova germânica igualmente devido a questões físicas) -, Luiz Felipe Scolari não tem um líder nato no actual grupo. Uma das suas tarefas, como o próprio revelou na passada segunda-feira em conferência de imprensa, é escolher um lote de cinco jogadores capazes de liderar os seus colegas, dentro e também fora do campo. Nomes como os de Ricardo, Ricardo Carvalho, Petit, Ronaldo e Nuno Gomes são os que, aparentemente, podem reunir maiores predicados. A escolha será feita em grupo, já em Viseu, para que a partir do dia 1, em Neuchâtel, na Suíça, os líderes do grupo de 23 jogadores possam começar já a dar a cara pela comitiva nacional. Substituir homens como Figo, Pauleta ou Jorge Andrade não será fácil, mas Scolari quer um grupo unido durante toda a competição. 2 Estrutura do onze A pouco mais de 20 dias do primeiro jogo no Europeu, dia 7 de Junho, com a Turquia, em Genebra, Scolari ainda não tem um onze definido. Há dúvidas no que a certas posições dizem respeito. A começar mesmo pela baliza - Ricardo há muito que é o titular, mas a época no Bétis não lhe correu de feição e o facto de o seleccionador ter referido o nome de Quim como o primeiro dos 23 poderá não ter sido por mero acaso. No meio-campo há que escolher um substituto de Maniche, que não foi convocado. João Moutinho ou Raul Meireles parecem as escolhas mais óbvias, algo que Scolari definirá em Viseu. Depois há ainda a questão de Petit, à procura da melhor condição física. No ataque, com quatro extremos de elevada qualidade, a dúvida está na titularidade de Quaresma ou Simão Sabrosa, sendo que Nani também não é de descartar. 3 'Reconquistar' adeptos Depois de um Europeu de 2004 em que Luiz Felipe Scolari cativou os adeptos, levando depois todo um Portugal a mostrar novamente as bandeiras durante o apuramento para o Mundial 2006 e também na própria competição, a fase de qualificação para a prova que agora se aproxima não foi brilhante, o que levou muitos portugueses a questionarem-se sobre as verdadeiras hipóteses da selecção neste Europeu. Scolari e toda a equipa têm agora em Viseu uma oportunidade de fazerem ver a todo um país que vão à Suíça e à Áustria lutar por um sonho, da equipa e dos adeptos: a conquista do Europeu. 4 Aproximação ao norte Durante o estágio de preparação para o Europeu de 2004, Scolari preferiu montar o quartel-general em Óbidos, perto de Lisboa. Em 2006 seguiu-se a região do Alentejo e nomeadamente Évora. Agora a Federação Portu- guesa de Futebol, com a colaboração do seleccionador nacional, optou por ficar mais para norte do País. Há quem diga que existe um distanciamento da equipa nacional desta zona de Portugal (nomeadamente devido à relação entre Scolari, Pinto da Costa e o seu FC Porto) e o treinador brasileiro pretenderá agora demonstrar que quer e sente o apoio de todos, desde o Algarve a Trás-os- -Montes. 5 Recuperação física Fruto de algumas lesões durante a temporada, alguns jogadores, como Petit, Nuno Gomes e até Simão Sabrosa não se apresentarão certamente nas melhores condições nestes primeiros dias de estágio em Viseu. Nesse sentido, Darlan Schneider, preparador físico, terá um papel importante para a recuperação total destes três jogadores, habituais titulares no onze de Scolari. Petit é o caso mais 'dramático', mas já nos últimos tempos no Benfica tem estado a fazer um plano de recuperação, aconselhado por... Scolari. 6Sistema táctico Quanto às questões técnico-tácticas, Luiz Felipe Scolari não mudou muito desde que chegou ao nosso país, em 2003, mantendo-se quase sempre fiel ao seu 4x2x3x1, com apenas um avançado na frente. No entanto, com quatro extremos de enorme qualidade como Nani, Simão Sabrosa, Cristiano Ronaldo e Quaresma, o seleccionador poderá testar nova táctica que, diga-se, até favoreça mais Ronaldo. Um 4x4x2 abriria as portas da titularidade a dois extremos como Ricardo Quaresma e Simão Sabrosa (ou até Nani), libertando Cristiano Ronaldo para jogar mais na frente, ao lado ou um pouco atrás do ponta-de-lança, à semelhança do que acontece no Manchester United, onde tem conseguido marcar golos (41) e, fruto disso, elogios que certamente o coroarão como melhor futebolista da presente temporada.| |
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