Sábado, 17 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
17.05.08
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Uma paisagem cheia de monges

Um horizonte de nuvens. A envolver os cumes dos montes. A ensombrar a esperança dos tibetanos. No mosteiro de Labrang, um dos seis principais templos do budismo tibetano (também conhecido como gelupga), os monges mais maduros podem meditar em maior silêncio, os mais catraios podem futebolar em paz, os estudiosos de teologia e os fazedores de calendários não são importunados. A repressão chinesa das manifestações de Março fez cair o turismo em mais de 80 por cento. E, agora, são raros os peregrinos e os curiosos que demandam Xiahe, a cidade que mira o rio Daxia alcandorada nos seus quase três mil metros de altitude - o que, para o país que é conhecido como o tecto do mundo, é quase baixo. Naquela parte da província de Gansu (correspondente à antiga província de Amdo), que integrava a lendária rota da seda e, como o resto do país dos Dalai Lama, desde 1959 faz parte da China comunista, o mosteiro que data de 1709 é um primor artístico-arquitectónico, apesar da destruição de que foi alvo no tempo da Revolução Cultural de Mao. Mas o frenesim dos autocarros das agências de viagens, o burburinho das falas estrangeiras em hotéis e restaurantes parece ter-se perdido no horizonte. | - F. M.
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