Sábado, 17 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
17.05.08
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Sarkozy : 'best-seller' e mal-amado

A perda de poder de compra dos franceses não impediu que, entre os livros mais vendidos no último ano, no país, se encontrem aqueles cujos títulos evocam Cécilia, Carla ou Nicolas Sarkozy. Os romances do poder dos primeiros tempos têm dado lugar, nas prateleiras, aos panfletos anti-Sarkozy. Se, há um ano, A Madrugada, a Tarde ou a Noite (ed. Flammarion), da dramaturga Yasmina Reza, fazia a ode a um então promissor presidente em campanha, hoje livros como O Rei Vai Nu (ed. Robert Laffont) do director do jornal Libération, Laurent Joffrin, reflectem a desilusão face às promessas do chefe do Estado. A literatura científica também se ocupou do tema, como o mostra o recentemente publicado Sarkose Obsessiva (ed. Hachette). Neste livro, o psiquiatra Serge Hefez aborda as patologias criadas pela figura do presidente - da "sarkofrenia" à "sarkonóia". Lado a lado no divã com o Presidente, os autores tentam passar em revista os últimos meses para descobrir as razões do trauma.

No livro As Palavras de Nicolas Sarkozy (ed. Seuil), dois linguistas analisam à lupa 300 discursos do presidente para descobrir nas repetições e nas metáforas vestígios de oradores célebres que vão de Bill Clinton a Luther King, descrevendo a forma como o Storytelling (ver dicionário, na página 14) transpôs a literatura para a política.

A melhor récita sobre os bastidores da eleição presidencial continua a ser Rupturas (ed. Du Moment) do qual é co-autor o grande repórter do canal France 2, Michaël Darmon, e que revela como a ascensão ao poder pode ser uma luta tão emocional quanto racional. No capítulo das inúmeras sátiras ao estilo, gestos, ou amizades do presidente, Crónica do Reino de Nicolas I (Ed. Grasset), é de longe o maior sucesso, com mais de cem mil exemplares vendidos. Um retrato do quotidiano do Eliseu como se fosse uma grande corte formada por conselheiros, ministros, marcada por amores e traições como nos tempos do Rei-Sol ou de Napoleão. Longe das prateleiras ficou o livro Cécilia entre o Coração e a Razão (ed. First), em que Valérie Domain tinha compilado as confissões da ex-primeira dama, mas que nunca chegou às livrarias por pressão directa de Sarkozy. Meses mais tarde a autora transformava o livro em obra de ficção. As críticas de Sarkozy ao Maio de 68 levaram o filósofo André Glucksman a responder em livro, publicando O Maio de 68 Explicado a Nicolas Sarkozy (ed. Denoël). Na Internet, além da popularidade dos vídeos com as declarações e deslizes do Presidente, muitos sítios exploram o filão dos rumores que todos os dias se escapam do Eliseu, como de source sure.fr ou bakchich.info. A imprensa não escapou ao fenómeno: as vendas de jornais e revistas aumentaram 6,7% no último ano. L'Express dedicou 17 capas ao presidente ou às primeiras damas, seguido do Nouvel Observateur (15) e do Paris-Match (13). Resta saber se o próximo álbum de Carla Bruni, com saída prevista para Setembro, será música para os ouvidos dos eleitores. |
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