James Stewart. Nascido em 20 de Maio de 1908, iniciou na década de 30 uma carreira no cinema que se prolongou por meio século. Recebeu o Óscar por 'Casamento Escandaloso' (1940). Interpretou filmes de Capra, Ford, Hitchcock, Cukor e Preminger. É o mais moderno dos históricos actores de Hollywood
A melhor homenagem a James Stewart veio de um colega de profissão. Cary Grant, que contracenou com Stewart em Casamento Escandaloso, costumava lembrar um momento da rodagem desse filme: "Ele fazia de bêbedo. E era de tal modo convincente naquela cena que se pode ver o meu ar de espanto no filme, admirado com o talento de Stewart." Quando se completam cem anos sobre o seu nascimento, pode hoje dizer-se que foi um dos actores americanos mais importantes de todos os tempos, que conquistava as plateias pela naturalidade de expressão - década e meia antes de Marlon Brando ter feito o mesmo. É um dos raros intérpretes que nunca passam de moda.
James Stewart, nascido em 20 de Maio de 1908 na vila de Indiana, estado da Pensilvânia, tinha um talento inato para a representação. Mas também sonhou ser arquitecto e aviador. O primeiro sonho ficou pelo caminho, embora tenha chegado a frequentar a faculdade de arquitectura. A aviação foi uma paixão consumada - em tempo de paz e em tempo de guerra. Logo após o ataque japonês a Pearl Harbor, Stewart ofereceu-se para a Força Aérea: já tinha 400 horas de voos civis no currículo. Completou 20 missões de bombardeamento sobre a Alemanha aos comandos do seu B-29. No final da II Guerra Mundial, já com a patente de coronel, recebeu a Medalha da Aviação em Washington e a Cruz de Guerra em Paris.
A guerra divide o trajecto artístico de James Stewart. A sua primeira década no cinema - após uma experiência teatral na Broadway, entre 1932 e 1935 - é marcada por comédias onde surge como ingénuo ou dramas que lhe conferem uma aura idealista. O melhor destes papéis, como senador que luta contra a corrupção em Washington, é Peço a Palavra (Mr. Smith Goes to Washington, de Frank Capra 1939), que lhe valeu o prémio da Associação de Críticos de Nova Iorque. O Óscar, que lhe escapou por uma unha negra, ser-lhe-ia entregue no ano seguinte por um papel inferior em Casamento Escandaloso (The Philadelphia Story, de George Cukor, 1940). Depois da guerra, especializou-se em personagens amargas e cínicas - com a qualidade de sempre.
O filme preferido dele era Do Céu Caiu uma Estrela, obra-prima de Capra. Ironia das ironias: durante a rodagem desta película, em 1946, teve uma crise psicológica e chegou a pensar abandonar o cinema. Quem o fez mudar de ideias foi o veterano Lionel Barrymore, que com ele contracenava: "Já pensou que consegue comover milhões de pessoas e que não há nenhuma outra profissão que possa fazer o mesmo?", perguntou-lhe. Uma história relatada por Peter Bogdanovich, no seu livro Pieces of Time, em que garante: "Jimmy Stewart foi o melhor contador de histórias que alguma vez conheci."
Outros testemunhos, contidos no mesmo livro, multiplicam-se em elogios. "Ele era bom a tudo", garantiu John Ford, que dirigiu Stewart em Terra Bruta e O Homem que Matou Liberty Valance. "A sua maior qualidade era a sua integridade pessoal", acentou Capra. "Quando ele corre riscos numa cena de filme, o público reage de forma muito mais intensa do que com qualquer outro actor", disse Hitchcock. Durante toda a década de 50, Stewart figurou na lista dos dez mais populares actores norte-americanos. Foi a década em que rodou Esporas de Aço, Janela Indiscreta, A Mulher que Viveu Duas Vezes, Anatomia de um Crime. Filmes de cinco estrelas.
Faleceu em 1997, com 89 anos. Era um homem tímido e desengonçado, de quase dois metros de altura. Nada tinha de galã. Um crítico que devia padecer de miopia chegou a escrever que parecia "um macacão aos tropeções". Mas Stewart podia dizer como Charles Lindbergh, um dos heróis que encarnou no cinema: "É claro que sou capaz." |