Sábado, 17 de Maio de 2008
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Lisboa
17.05.08
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Machado nasceu contra mouros


MARCOS SOROMENHO SANTOS
Bernardino Machado. Único Presidente da República português que nasceu no Brasil, tem origens familiares que remontam a D. Afonso III. O pai era o barão de Joane - título que lhe foi conferido em 1870

Machado nasceu contra mouros
O terceiro Presidente da República portuguesa, Bernardino Luís Machado Guimarães, nasceu no Rio de Janeiro a 28 de Março de 1851, filho de António Luís Machado Guimarães, primeiro barão de Joane, e de sua segunda mulher, Praxedes de Sousa Guimarães.

Recebeu no baptismo o nome próprio do avô materno, Bernardino de Sousa Guimarães, capitalista estabelecido em terras brasileiras.

Bernardino Machado passou a infância no Brasil até aos nove anos, quando a família se estabeleceu em Joane, concelho de Famalicão. Em 1866 inscreveu-se na Universidade de Coimbra, em Matemática, tendo optado depois por Filosofia. Foi um brilhante aluno, tendo-se doutorado em Coimbra, onde foi professor.

Em 1872 atingiu a maioridade e optou pela nacionalidade portuguesa.

Casou no Porto em 1882 com Elisa Dantas Gonçalves Pereira, também nascida no Brasil, filha do conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, de quem teve 18 filhos.

Durante a monarquia, Bernardino Machado foi deputado pelo Partido Regenerador (1882), par do Reino (1890), e ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (1893). Aderiu ao Partido Republicano em 1903.

Com o advento da República foi ministro dos Negócios Estrangeiros e o primeiro embaixador de Portugal no Brasil (1913).

Foi presidente eleito de 1915 a 1917 e pela segunda vez entre 1925 e 1926.

Morreu no Porto em 1944.

O seu pai nascera em Vila Nova de Famalicão em 1820 e o título de barão de Joane foi-lhe concedido em 1870. Era filho de Domingos Luís e de Joaquina Machado, neto materno de Manuel Caetano Machado, natural de Ronfe em Guimarães e de Joana Maria Ferreira de Araújo, de Joane. Manuel Caetano Machado era filho de António Fernandes de Abreu e de Maria Machado, neto de António Fernandes e de Maria Rodrigues de Abreu, de Ronfe.

Esta última era irmã de Francisco Rodrigues de Abreu Sousa Magalhães, familiar do Santo Ofício, sendo ambos filhos de Paula Gonçalves, senhora da quinta de Mesão Frio, em Ronfe, e de seu marido Manuel Rodrigues de Abreu.

Este quinto-avô de Bernardino Machado era neto de Rodrigo Álvares de Abreu, que foi senhor da quinta do Assento, nascido em Joane em 1578.

Por este ramo, era Bernardino Machado Guimarães décimo neto de João Aranha, filho do senhor de Vila Boa de Roda e de Maria Gomes de Abreu, filha de Gomes Rodrigues de Magalhães e de Guiomar Vaz de Abreu.

Estes Magalhães descendiam de Afonso Rodrigues de Magalhães, senhor da quinta e Torre de Magalhães, cavaleiro fidalgo de D. Dinis (1312). Guiomar Vaz de Abreu era filha de Pedro de Abreu "fidalgo de respeito", e bisneta por varonia de João de Abreu, da casa dos senhores da Torre e Honra de Abreu e de sua mulher Inês Dias de Sousa.

Esta era filha de D. Lopo Dias de Sousa, sétimo mestre da Ordem de Cristo, sucessor de seu pai D. Álvaro Dias de Sousa, senhor de Mafra e Ericeira e sobrinho materno da rainha D. Leonor Teles.

D. Álvaro era neto paterno de D. Afonso Dinis, filho de D. Afonso III rei de Portugal e de Maria Peres de Enxara, e de D. Maria Pais Ribeira, senhora da antiga Casa de Sousa, que remonta ao século IX. |
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