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Doutores sem engenheiros
JOÃO VILLALOBOS
Sexto andar, têxtil lar, anunciava em rima a vozinha do elevador antes de abrir as portas. À minha frente, também Bagão Félix chegava com pontualidade à apresentação do livro de Maria Elisa, que reciprocamente marcaria presença dias mais tarde, como poderão ler no texto abaixo, mas só depois de terminarem este, se fazem favor.
Subido o lance de escadas até à sala, era o caos instalado de gente. E entre a pequena multidão, perto do eterno candidato à presidência do Benfica Jaime Antunes e de um sempre muito cumprimentado Nelson de Matos, estava o provedor do Leitor desta casa, Bettencourt Resendes. O cronista, algo constrangido, pensou que era melhor cingir- -se aos factos e contar mesmo tudo como exactamente foi desta vez, mas pouco depois a vontade passou-lhe.
Se a sala estava cheia, a mesa dos apresentadores também. E o mote foi dado pelo editor que celebrou o "elenco de autêntico luxo", todos "referências incontornáveis" e tal. Seguiu-se Nuno Santos, que segundo logo declarou já não tem grande fé na natureza humana. Talvez por isso, assumiu que no início ele e outros questionavam, perante o cansaço evidenciado por Maria Elisa, "até que ponto estávamos perante algo que exis- tia". Como doença, entenda-se. Mas estes anos passados, ali naquela sala que incluía mais médicos do que as urgências do Santa Maria e no dia dedicado à fibromalgia, já ninguém duvidava da existência da doença.
Para o ex-bastonário Germano de Sousa, a obra tem aquilo que é raro encontrar: "A perspectiva da vítima" e é "um bem tocado concerto de piano a quatro mãos". O rol de elogios foi tal que o próprio autor, o reumatologista Jaime Branco, confessou: "Estou ansioso por ver o livro que eu próprio escrevi."
Ao meu lado, Carlos Piçarra sorria discretamente de quando em vez e, do outro lado da sala e perto de Francisco George, Fernando Dacosta ouvia atentamente a sua amiga Elisa desenrolar uma lista de agradecimentos a médicos com o tamanho da lista telefónica de Xangai, incluindo claro a sua médica pessoal, Teresa Paiva. "O doutor Jaime nunca foi meu médico", esclareceu ela aos presentes. E os presentes, quase todos eles também doutores, registaram a nota. |
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