Sexta, 16 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
16.05.08
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Santa Casa estuda mais cooperação com o SNS


LUÍS NAVES
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Rui Cunha, garantiu ontem à Lusa que a SCML está a estudar a possibilidade de fazer cirurgias ambulatórias no Hospital de Sant'Ana. Entre estas contam--se intervenções a cataratas, hérnias ou vesícula.

A intenção da organização é auxiliar o Sistema Nacional de Saúde, e este último foi o tema discutido ontem, em Lisboa, nas primeiras jornadas da saúde organizadas pela Santa Casa. Não há ainda números ou trabalho técnico sobre a possibilidade de cirugias ambulatórias no Hospital de Sant'Ana, que é ortopédico, e esta evolução dependerá de um protocolo de entendimento com as autoridades de saúde.

Na fase de lançamento do projecto (caso este seja concretizado) a SCML poderá efectuar algumas centenas de cirurgias nestas novas áreas, pois diz ter "alguma folga" operacional. Nas jornadas sobre saúde, foram sobretudo discutidos assuntos mais abrangentes. A ministra da Saúde, Ana Jorge, deu o mote, ao apelar a uma maior intervenção da Santa Casa na área da geriatria.

O problema do financiamento da área da saúde, sobretudo dos crescentes custos dos cuidados dos mais idosos, esteve presente em todas as intervenções. Exemplo, a do director de saúde da Santa Casa, o cardiologista Martins Correia, que apresentou exemplos internacionais de sistemas estatais para atender às necessidades da população mais idosa.

Portugal não escapa ao padrão geral dos países industrializados, com o envelhecimento da população a aumentar os custos, a reduzir a população activa, levando por sua vez ao aumento da idade da reforma e da produtividade da população idosa. A saúde dos idosos levanta inúmeras questões, desde a forma de prevenir quedas ao combate à hipertensão arterial e aos maus tratos, entre muitas outras áreas.

Nestas jornadas, a comunicação mais controversa coube a Carlos Andrade Costa, administrador do Hospital Ortopédico de Sant'Ana, que falou dos novos modelos de saúde em Portugal e da possível evolução dos hospitais públicos no sentido de redução dos custos médios por acto médico. Na opinião do orador, "só sobreviverão" os hospitais públicos com uma prática de capital, tecnologia e trabalho intensivos.|
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