Sexta, 16 de Maio de 2008
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Lisboa
16.05.08
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Regresso de espanhóis ao seu país pára VMER


ROBERTO DORES
O regresso de oito médicos espanhóis ao seu país de origem deixou as equipas que asseguram a tripulação da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Beja reduzidas a apenas 12 clínicos. O que levou a viatura a parar novamente durante o dia de quarta-feira.

O problema arrasta-se desde o início de Março, sendo que nas últimas duas semanas a VMER esteve inoperacional por quatro vezes, não tendo sido accionada para um acidente grave que ocorreu no IP8. Apesar de os bombeiros a terem solicitado.

Rui Sousa Santos, presidente do Conselho de Administração do Hospital de Beja, unidade de saúde a que a Viatura Médica de Emergência e Reanimação está afecta, revelou ao DN que o recente recrutamento de médicos realizado pelos hospitais da Andaluzia agravou a crise da falta destes profissionais na capital do Baixo Alentejo.

Entre finais de Fevereiro e princípios de Março, oito clínicos que estavam habilitados pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para tripularem a VMER, optaram por deixar Beja atraídos pelas melhores condições que Espanha passou a oferecer à classe, numa altura em que várias unidades de saúde também se começam a debater com a falta de médicos no país vizinho.

Um fenómeno que surge depois do excedente registado há dez anos, que levou estes profissionais a procurarem emprego nos hospitais portugueses, sobretudo junto à raia, o que foi aproveitado por Beja para colmatar as lacunas do quadro clínico.

Ainda assim, o hospital tem hoje uma carência superior a 30 médicos.

Rui Sousa Santos garante que estes números ilustram as dificuldades na hora de definir as escalas, reconhecendo que a VMER se depara hoje "com grandes dificuldades".

Até Março, as coisas estavam controladas, mas agora não temos capacidade de cobertura a 100 % para os diferentes turnos. "Não conseguimos superar a ausência deixada pelos médicos espanhóis", sublinha o responsável, considerando que a fase crítica se situa entre as 08.00 e as 16.00 horas, já que os médicos que fazem VMER estão a trabalhar em outras instituições "e nem sempre têm tempo".

Ainda assim, até final deste mês, a escala está feita "sem furos", garante, revelando que, no mês de Junho, perto de dez médicos da sub-região de Saúde de Beja vão começar a receber formação para assegurar a operacionalidade da Viatura Médica de Emergência e Reanimação 24 horas por dia.|
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