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117 mil alunos fazem hoje a primeira de muitas provas
RITA CARVALHO
Um aluno que entre hoje na escola e siga, por exemplo, a área das ciências, terá de se sujeitar a pelo menos 11 provas até chegar o momento de entrar na faculdade. Isto se não chumbar, não mudar de escola e não houver alterações durante todo o seu percurso escolar. Algumas provas serão apenas de aferição de conhecimentos, outras intermédias e com um peso relativo na avaliação. Mas outras serão decisivas para acabar o 12.º ano e ingressar no ensino superior.
Segundo os moldes actuais, o primeiro impacto começará logo no 4.º ano, quando tiver apenas 10 anos. Embora as provas não contem para avaliação mas apenas para aferir os conhecimentos gerais dos alunos, este primeiro embate é um momento importante no percurso escolar destas crianças.
É a esta situação que vão sujeitar--se, hoje e terça-feira, cerca de 117 111 alunos do 4.º ano que serão chamados a prestar provas a matemática e língua portuguesa. O mesmo acontecerá no 6.º ano, para 115 765 crianças. Apesar de as notas não contarem para a avaliação, o momento cria grande ansiedade nas crianças, pais e professores, pois o ambiente em que decorre a prova é semelhante ao de um exame. Os enunciados são preparados pelo Ministério da Educação e as crianças têm uma hora e meia para mostrar o que sabem. Os professores que vigiam os exames e a sala de aula não serão os habituais, o que confere ao momento um stress ainda maior.
O psicólogo Eduardo Sá considera que a pressão sofrida pelas crianças é colocada pelos pais, que vêem neste momento um "primeiro certificado de qualidade" dos filhos, dando às provas uma importância que estas não possuem. Por isso, em vez de aumentar a ansiedade, é preciso desdramatizar e explicar que as notas não contam para nada.
"A escola esquece que nem sempre cumpre da melhor maneira a sua função e coloca a responsabilidade sobre as crianças. Os pais, às vezes, esquecem que gerem mal o dia a dia dos filhos e estão a exigir-lhes um bom desempenho", afirmou à Agência Lusa este especialista.
Mário Nogueira, da Fenprof, não critica a existência de provas que apuram o conhecimento generalizado dos alunos em matérias tão importantes como matemática e língua portuguesa. Mas o facto de serem extensíveis a todos os alunos e não apenas a uma amostra representativa, como acontece noutros países, preocupa o representante da Federação Nacional de Professores. Além de que, acrescenta ao DN, "o clima criado pelo Ministério da Educação à volta desta prova coloca os professores e alunos numa situação de pré-exame".
Ou seja, em vez de ser feito num ambiente descontraído, em que os alunos são testados numa situação natural, Mário Nogueira diz que os professores preparam esta prova, retirando-lhe a espontaneidade.
Mudanças na lei
As provas de aferição foram introduzidas há oito anos, mas a sua aplicação foi variando ao longo dos anos. Se no início todos os alunos eram submetidos à mesma prova, embora os resultados não fossem contabilizados na avaliação, o processo foi alterado dois anos depois. Em 2002, apenas uma amostra representativa dos alunos destes dois anos fez exame.
No ano passado, o Ministério da Educação optou por voltar ao regime inicial. Assim, os testes passaram a ser aplicados à globalidade dos alunos do 4.º e 6.º ano nas disciplinas de matemática e língua portuguesa. Os resultados na matemática foram maus, com 40% dos alunos a tirarem negativa no 6.º ano. No 4.º ano, a percentagem de chumbos chegou aos 20%.
Na língua portuguesa, as notas foram bastante mais positivas. No 6.º ano, 85% obteve nota positiva, um resultado alcançado por quase 90% dos colegas do 4.º ano.|
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