|
|
Menezes considera Passos Coelho um candidato "muito credível"
JOÃO PAULO MENDES e FRANCISCO ALMEIDA LEITE
O presidente demissionário do PSD deu ontem um sinal claro de apoio a Pedro Passos Coelho na corrida à liderança do partido. Luís Filipe Menezes convidou o candidato para um jantar à porta fechada com o mandatário para a juventude no distrito, o seu filho mais velho, e os presidentes de junta "laranja" eleitos nas últimas autárquicas no concelho. Um gesto que Passos Coelho agradeceu.
Apesar de não declarar, "por enquanto", o apoio explícito a esta candidatura, Menezes, que se juntou a Passos Coelho "na qualidade de presidente da concelhia de Gaia do PSD e também do partido", disser ter "muito gosto em o receber como um candidato credível, muito credível à liderança do PSD". O líder que não aguentou a pressão dos críticos e "deitou a toalha ao chão", como acusa Manuela Ferreira Leite, quer "um partido verdadeiramente social-democrata", considerando que são "personalidades e agentes como Pedro Passos Coelho que asseguram isso". E não poupou críticas à candidata agora apoiada pela ala esquerda do PSD: "Eu lembro-me bem de como ele [Passos Coelho] afirmou os seus princípios social-democratas na defesa, por exemplo, dos estudantes do ensino superior contra as ideias hiper liberais de quem [Ferreira Leite] queria pôr os alunos a pagar quase por inteiro o valor daquilo que são os custos de frequência do ensino".
Já no interior da sala de jantar, Menezes iria mais longe, afirmando que Ferreira Leite "foi a pior ministra da Educação e das Finanças". A candidata das "elites", que Menezes diz respeitar muito, "beligerava com o dr. Pedro Passos Coelho na defesa de princípios liberais".
Manuela Ferreira Leite foi a única candidata que mereceu críticas de Menezes. Pedro Santana Lopes, que do outro lado do rio apresentava os seus mandatários distritais, também teve palavras de apreço por parte do ainda líder "laranja".
Pedro Passos Coelho agradeceu o convite, vendo este gesto como mais um apoio à sua candidatura. "Se o Dr. Luís Filipe Menezes um dia quiser ser mais explícito do que foi, cabe a ele" fazê-lo", disse.
Mas Pedro Passos Coelho voltou a colocar a tónica do seu discurso à margem da social-democracia, ao afirmar que o fraco crescimento da economia "deve-se ao peso do Estado" na sociedade civil. "Eu quero que o PSD inverta esta situação", disse, defendendo a redução do "peso que o Estado tem na economia".
As opções estratégicas
Antes, Passos Coelho tinha apresentado as suas opções estratégicas, no Porto, mas precisamente na distrital e a convite de Marco António Costa. De entre as propostas do candidato, está "abrir espaço à iniciativa privada nos sectores onde a prestação concorrencial entre público e privado assegure um melhor serviço ao cidadão e uma maior eficiência na aplicação dos recursos do Estado".
Em matéria de emprego, "combater o trabalho ilegal. Criar um banco central de dados, contendo um cruzamento de informações tão variadas como o registo do início da actividade da empresa e do empregador". Na segurança, "colocar sob tutela do Ministério da Administração Interna a coordenação da organização e funcionamento dos serviços e forças de segurança". Passos Coelho defende ainda a aposta na Investigação e Desenvolvimento, vulgo I&D, e nas energias renováveis. |
|