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Manchester-Chelsea: 'God save the Champions'
LUIS PEDRO CABRAL
Nas verdadeiras finais que foram os jogos das meias-finais da Champions, ninguém ousava arriscar quem teria carimbo no passaporte para o grande jogo do próximo dia 21, em Moscovo. Uma coisa, porém, estava já garantida: um dos finalistas seria inglês, tal não foi a hegemonia das equipas inglesas na prova. Frente ao Barça, só o Manchester United podia determinar uma final inglesa, sendo que do outro jogo sairia um estreante chamado Chelsea, sedento do seu primeiro troféu, ou um Liverpool com a possibilidade de conquistar o seu sexto título de campeão europeu. O Liverpool, que a crítica era unânime em classificar como uma equipa talhada mais para a Europa do que propriamente para consumo interno, estava portanto perante a ironia de ter de jogar uma eliminatória para a Europa internamente, sendo que o Chelsea ia tentar pela quarta consecutiva vez chegar à final, pela primeira vez sem estar sob os comandos de José Mourinho.
Em Liverpool, o Chelsea esteve grande parte do jogo a perder, mas um autogolo a esgotar-se o período de compensação pôs em sérios riscos uma eliminatória que até aos últimos segundos parecia bem encaminhada. O Chelsea regressou a Londres com um empate que certamente nem os mais optimistas julgaram possível. E, em Londres, um jogo com cinco golos, o Chelsea levou a melhor, fazendo a festa como se tivesse ali conquistado a final. Seja como for, já fez história.
No outro confronto, sir Alex Ferguson foi para o primeiro jogo da eliminatória, em Barcelona, com um aviso: não ia cometer o mesmo erro de jogar em Nou Camp de peito aberto, pois a história recente aconselhava-lhe táctica diferente. O Manchester United fez no terreno do Barça um dos seus jogos mais defensivos, fazendo com que o jogo acabasse sem golos, embora Cristiano Ronaldo tivesse nos pés a possibilidade de o desafio ter começado com um. Em Manchester a história seria diferente. Para começar, porque o Manchester marcou e o Barcelona não foi capaz de responder à desvantagem. Para Cristiano Ronaldo e Nani, a armada portuguesa do Manchester, será a sua primeira presença numa final da Champions, coisa que muitos jogadores não chegam a atingir sequer em sonhos.
Para o Manchester, é oportunidade de conquistar o seu terceiro troféu, já que anda numa média de uma taça de trinta em trinta anos, incompatível com as expectativas do gigante inglês. A primeira conquista da Taça dos Campeões Europeus foi em 1968, num jogo de má memória para os adeptos do Benfica, no estádio de Wembley. Essa final acabou empatada a um, mas no prolongamento o Manchester United conseguiu fazer três golos. O última conquista do troféu, e talvez a mais emocionante da histórias das finais neste formato da Champions, foi na época 98/99. Aos 45 minutos do segundo tempo, o Manchester perdia com o Bayern de Munique por um a zero. Em segundos, Teddy Sheringham e Solskjaer operaram um verdadeiro milagre, desencaminhando a taça para Inglaterra.
Esta final inglesa em Moscovo promete. Chelsea e Manchester disputaram até ao última jornada a Premier League. E foi o Manchester United quem saiu em festa. Antes da selecção os unir, estarão muitos jogadores portugueses em lados opostos neste braço-de-ferro inglês pelo título máximo na Europa dos clubes. Só alguns poderão sair vencedores na Champions, mas não seriam mau que em fins de Junho fossem todos campeões europeus. Mas, por enquanto, será Manchester versus Chelsea. Não são prudentes prognósticos. |
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