Sexta, 16 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
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Rui Hortelão
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Lisboa
16.05.08
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Candidatura ao Mundial é mesmo para avançar


SÍLVIA FRECHES
TONY DIAS-O JOGO
Portugal e Espanha vão aproveitar o Europeu 2008 para acertar o "ataque" conjunto à organização do Mundial 2018. Foi o próprio presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Gilberto Madaíl, quem o afirmou, ontem, quando tinha ao seu lado o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, que também está "convicto" de que uma "candidatura conjunta será muito forte".

Com o apoio assumido do Governo, Madaíl ganhou forças para retomar as conversações com Espanha, de forma a que se comece a trabalhar em breve e apresentar o projecto final junto da FIFA dentro de três anos.

"Os contactos que fizemos foram interrompidos devido ao período eleitoral que aconteceu em Espanha. Agora, estamos em condições de retomar as conversações e esperamos fazê-lo durante o Euro 2008. A Espanha mostrou-se altamente favorável. Vamos continuar a falar", disse Gilberto Madaíl, durante um debate sobre a eventual candidatura Portugal/Espanha ao Campeonato do Mundo de futebol dentro de dez anos.

Segundo o presidente da FPF, a ideia foi bem recebida pela federação espanhola, e Madaíl espera brevemente abordar o projecto junto dos respectivos Governos. "Neste momento, Portugal é uma mais-valia para os espanhóis. Uma candidatura sozinha da Espanha contra uma da Rússia e de Inglaterra não será tão forte", explicou, adiantando que neste momento tudo "não passa apenas de uma ideia" e de um desejo.

Gilberto Madaíl considera que, caso o projecto avance, será o "pesadelo" da Inglaterra, que deverá igualmente apresentar-se disponível para receber a competição.

"Tem a vantagem de poder ser a vencedora. A própria FIFA já se mostrou agradada com essa possibilidade. Sei, por exemplo, que uma candidatura conjunta de Portugal e Espanha é o pesadelo da Inglaterra", salientou o líder federativo.

Na opinião de Laurentino Dias, o País tiraria vantagem se recebesse uma competição como o Mundial, mas frisou que tal ideia só faz sentido se for com Espanha. "Continuo a defender que Portugal sozinho não tem dimensão para receber um evento desta envergadura, mas, com a Espanha, tem a possibilidade de criar uma candidatura muito forte. Há condições e estou convicto de que vale a pena", afirmou o governante, que, no entanto, está consciente de que as negociações entre as federações dos dois países não será fácil.

Laurentino Dias sublinhou que, economicamente, "o Europeu de 2004 foi um benefício para Portugal", com os investimentos a serem "altamente suplantados pelas receitas".

O secretário de Estado sublinhou que o turismo português cresceu três vezes mais do que o espanhol nos anos a seguir ao Euro 2004, observando que "só o facto de ser altamente potenciadora do desenvolvimento turístico" chega para "olhar a sério" para o projecto de Gilberto Madaíl. "Parece óbvio que a ponderação entre o investimento necessário para a candidatura ao Mundial 2018 e o retorno é positiva para o País." | Com LUSA
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