Sexta, 16 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
16.05.08
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A MÍSTICA REVISITADA DO 2.º SÁBADO DE MAIO


Nuno Madureira
*DIRECTOR ADJUNTO DO 'SITE' MAISFUTEBOL
jornalista*
Um homem bem vestido entra num pub de Londres, na véspera da final da Taça de Inglaterra. Olha em volta, tira uma chave do bolso pousa-a na mesa e grita: "Preciso de bilhetes para Wembley! Tenho um Rolls Royce à porta e troco-o por dois bilhetes. Está aqui a chave." O dono do bar olha-o desconfiado e responde: "Um Rolls Royce? Hmm, não sei... é de que ano?"

Havia um tempo em que a mística da final da Cup era tão forte que histórias tontas como esta podiam passar por verdadeiras. Depois, veio a banalização do futebol na TV e o acentuar da diferença de classes entre os clubes, nas últimas décadas, para esbater de forma irremediável essa sensação de que nenhum outro palco poderia inspirar tanta glória e eternidade como a relva de Wembley no segundo sábado de Maio.

Desde 1991 que não havia uma final sem pelo menos um representante dos big four (Manchester United, Chelsea, Liverpool e Arsenal) e, com isso, a expectativa de glória, que antes parecia ao alcance de qualquer adepto, tornou-se propriedade quase exclusiva de uma elite cada vez mais restrita. Este ano, com Portsmouth e Cardiff em campo, a 127.ª final da Taça de Inglaterra tem um genuíno toque de nostalgia. Quanto mais não seja porque Hitler ainda não tinha invadido a Polónia da última vez que uma destas equipas levou a taça.

Para os espectadores portugueses, a perspectiva de, com alguma sorte, Pedro Mendes poder imitar Cristiano Ronaldo, Mourinho e Ricardo Carvalho (que conquistaram o troféu em 2004 e 2007) é apenas mais um entre vários aliciantes, como o de rever nomes ilustres em busca das derradeiras manchetes, como Kanu, Milan Baros, Campbell e James, Fowler ou Jimmy Hasselbaink.

Com futebol de todas as proveniências como ementa diária na TV, talvez estes ingredientes já não valham um Rolls Royce. Mas valem seguramente uma tarde de sábado passada a tentar decifrar os cânticos dos adeptos e a beber uma cerveja à saúde dos velhos tempos.

Benzema

Numa altura em que a cobiça do Barcelona sobe de intensidade, o melhor marcador da Liga francesa pode somar em Auxerre, este sábado, o seu quarto título consecutivo pelo Lyon, ainda antes de completar 21 anos. Os dois pontos de avanço estão em risco de evaporar-se na última jornada, embora o Bordéus tenha uma final tremendo, frente a um Lens que precisa da vitória para fugir à despromoção. À mesma hora, em Sochaux, Pauleta despede-se da Liga francesa, tentando um derradeiro golo que garanta a permanência do PSG.

Fernando Couto

Cumprida a suspensão de quatro jornadas na Série A, o central do Parma (foto) pode regressar este domingo, para o último grande jogo da carreira: o Parma joga a sobrevivência frente a um Inter que tem o título na mira (mesmo cenário para o Catania-Roma). Quase a completar 39 anos, não teve, ao contrário de Figo e Rui Costa, por exemplo, um final de carreira à altura de tudo quanto conseguiu no futebol - e foi muito! A forma como viu fecharem-se as portas da Selecção após o Euro-2004, sem uma simples palavra de apreço, simboliza um esquecimento imerecido para um grande nome do futebol português.

Dick Advocaat

Apesar dos títulos conquistados na Holanda e na Escócia, a personalidade discreta e um percurso marcado por alguns falhanços em momentos-chave, em especial como seleccionador da Holanda, tinham-lhe colado à pele o rótulo de "perdedor competente". Aos 60 anos, ajudado pelo patrocínio milionário da Gazprom e pelos talentos inquestionáveis de Arshavin, Denisov, Anyukov e do infeliz Pogrebnyak, chegou a hora da consagração para Advocaat (foto). A vitória sobre o Rangers, na final da Taça UEFA, consagrou merecidamente a equipa mais espectacular de uma competição em crise. E, de passagem, evitou que o Rangers, um dos finalistas mais cinzentos de toda a história das competições europeias, consumasse um crime perfeito.|
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