Sexta, 16 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
16.05.08
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"Temos de prosseguir mais uma cultura de meritocracia"

Como vê o desempenho da economia portuguesa este ano?

A recuperação que a economia portuguesa estava a ter, alicerçada no crescimento das exportações e com uma boa disciplina das contas públicas, vai sofrer ventos contrários. E vai enfrentar tempos mais difíceis.

O crescimento vai desacelerar fortemente...

Estou a falar mais de direcção do que de intensidade, porque o que é importante para as empresas é ter uma indicação da direcção.

Qual será o caminho para a recuperação?

É muito importante fazermos um esforço para aumentar a exigência. O País tem vindo a progredir, é seguro, tem bom tempo, bom clima laboral, onde é fácil as pessoas instalarem-se. Mas temos de ver isso em função de outros países, que em circunstâncias parecidas fizeram melhor. As pessoas têm de perceber que produzir três vezes mais por ano não é uma coisa abstracta. Para a média dos portugueses significa a diferença entre poder comprar um frigorífico, uma televisão e um vídeo ou poder só comprar o frigorífico.

E têm essa atitude?

É uma questão que os portugueses têm de resolver. Se as pessoas acham que o que têm é suficiente e não é preciso esforçarem-se mais, então não queiramos fazer melhor.

Quais as formas para se conseguir isso?

Vemos imensos portugueses espalhados pelo mundo que são bem considerados, com grande produtividade e com grande dedicação. Mas as pessoas que vão para fora são as mais propensas ao risco e estão dispostas a trabalhar mais. Não representam exactamente a média do País. Essa pode ser uma explicação. Não é por causa das pessoas que Portugal não progride mais. Temos problemas ao nível da liderança e do sistema. Na liderança, devíamos procurar a motivação das pessoas, sermos mais exigentes, termos estratégias correctas e premiar as pessoas pelo mérito. Em Portugal, temos de prosseguir mais uma cultura de meritocracia.

Como se faz no sector público?

Temos um enorme sector público, gastamos mais do que a média da UE em educação e com piores resultados. É uma questão de saber como afectar melhor esses recursos para ter melhores resultados. Recomendaria que tivéssemos menos Estado. O Estado não é um bom gestor, porque não persegue o lucro. Deve assegurar as funções essenciais, onde o mercado por si só não funciona. Não deve actuar no sector privado.

Como se consegue? Através de privatizações?

É uma boa maneira de reduzir o peso do Estado em sectores onde não haja interesse nacionais e o mercado não funcione.

As privatizações podem chegar a todos os outros sectores?

Podem. Na educação, onde Portugal é um bom exemplo no ensino superior, com óptimas universidades privadas e públicas, não vejo razão para que não haja uma concorrência salutar entre elas, mas em igualdade de circunstâncias. Ou então conceder um cheque aos alunos para que escolham a universidade. Quem for melhor, mais alunos e melhores professores terá. |
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