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ECONOMIA VAI CRESCER 30% ABAIXO DO PREVISTO
RUDOLFO REBÊLO VASCO NEVES
Um balde de água fria. No primeiro trimestre do ano a economia entrou em contracção e o País ficou 0,2% mais pobre em relação aos últimos três meses do ano passado. Ontem, a Comissão Europeia revelou que Portugal é o país da UE com o pior desempenho e o Governo reviu a economia em forte baixa, dando ordens para acelerar o investimento público.
Agora as estimativas de crescimento económico, segundo o Executivo liderado por José Sócrates, são 1,5% e não 2,2%, aproximando-se das estimativas "mais pessimistas" do FMI (1,3%) e do Banco de Portugal (entre 1,6 % e 1,7%). De uma penada, pelo sétimo ano, Portugal deixa de convergir com a zona euro.
Os portugueses terão de pagar a factura. Mais inflação, menos criação de empregos nos próximos anos e menos compras (consumo). Ontem o ministro das Finanças, após o tradicional Conselho de Ministros das quintas-feira, chamou os jornalistas e foi claro: alterou as previsões até 2011 e, para este ano, reviu em alta a inflação em 0,5 pontos (ver quadro). Pelo meio, avisou que não está disponível para rever salários na função pública contrariando uma promessa de José Sócrates de repor em 2008 o poder de compra. "Vamos ter de acomodar este desenvolvimento", afirmou Teixeira dos Santos, referindo-se aos aumentos da factura petrolífera e dos produtos alimentares.
O que está a falhar na economia? Terá sido as exportações líquidas, "soluços" no investimento e também o consumo das famílias que levou a economia nos primeiros três meses a crescer apenas 0,9% em relação a semelhante período do ano passado. Teixeira dos Santos culpa a "conjuntura internacional" , o "impacte da subida do preço do petróleo, dos bens alimentares e das taxas de juro" e chama também a atenção para "o facto de no primeiro trimestre haver menos dois dias úteis", enquanto no último trimestre "houve mais três dias úteis do que habitualmente".
Dados do INE, nas últimas semansa, já tinham reportado alguns sintomas de "gripe" no investimento. As vendas de cimento caíram 8,7% e assistiu-se a uma queda nas compras de carrinhas comerciais.
Também o comércio está em deterioração. As importações são superiores às exportações, o que resulta num contributo negativo para o crescimento da economia. A Europa - destino de 74% das exportações nacionais - entrou em forte desaceleração, após a crise do subprime americano. Espanha, para onde Portugal escoa 28,4% das vendas, entrou em "rotura" - cresceu apenas 0,3% no trimestre - com as famílias a retraírem-se no consumo. A Alemanha é ainda o motor da economia europeia, mas há sinais de que os consumidores estão a cortar nas despesas.
Em Portugal, as famílias, assustadas com a fraca evolução do emprego, altas taxas de juro e endividamento e com a inflação, que "come" os ganhos salariais, estão a apertar os cordões à bolsa, cortando no consumo. Os lojistas confirmam esta evolução ao reportar ao INE quebras nas vendas.
A solução, agora, diz Teixeira dos Santos, está em fazer arrancar o investimento público "o mais rapidamente possível". |
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