Sexta, 16 de Maio de 2008
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Lisboa
16.05.08
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Metro vai formar dez maquinistas para poder aumentar comboios


DANIEL LAM
RUI COUTINHO
O Metropolitano de Lisboa (ML) começa na próxima semana a ministrar cursos de formação a dez operadores de linha para ascenderem à categoria de maquinistas. Uma medida que poderá contribuir para reforçar o número de comboios e reduzir os intervalos de espera, que já chegam a prolongar-se por 12 minutos, quando a média deveria ser de apenas quatro minutos.

A informação foi avançada ao DN por Diamantino Lopes, dirigente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), que diz estar "revoltado com a justificação dada pela administração do ML de que muitas circulações de comboios deixam de se fazer por absentismo dos maquinistas. É pura mentira dizer que há absentismo".

O sindicalista recorda que "nesta quarta-feira, na reunião de negociações do acordo de empresa do ML, falou-se precisamente na falta de maquinistas". Adianta que nessa mesma reunião "foi anunciado que no dia 20 começa um curso de formação para dez maquinistas, que já são funcionários da empresa com as funções de operadores de linha".

Na sua opinião, "além desses novos dez maquinistas, a empresa ainda precisa de mais 18. Responsáveis da ML concordaram que daqui a algum tempo será necessário dar início a um novo curso de formação".

De acordo com o sindicalista, "actualmente há cerca de 240 maquinistas e antes eram quase 270". Esclareceu que "saíram muitos maquinistas ultimamente, no final de 2007 e nos primeiros meses deste ano, até Março, ainda ao abrigo do sistema de reforma antecipada aos 55 anos".

"A empresa tem prolongado a rede e, em vez de também aumentar o número de trabalhadores, está a fazer precisamente o inverso. Tem diminuído substancialmente o número de efectivos", sublinha o mesmo dirigente da Fectrans.

Especificou que "há sete ou oito anos, o ML tinha cerca de dois mil trabalhadores do AE1 (acordo de empresa relativo a todos os funcionários que não são técnicos superiores). Agora são só cerca de 1360".

Quanto aos maquinistas, refere que "vão ocupando lugares superiores na hierarquia, sendo promovidos a encarregados de tracção".

Segundo explicou, "os maquinistas têm subido na carreira para ocupar os lugares deixados vagos pelos anteriores encarregados de tracção, os quais, por sua vez, foram promovidos a inspectores, enquanto outros saíram da empresa, passando à situação de reforma".

"Empresa não se precaveu"

Diamantino Lopes considera que "a empresa não se precaveu a tempo para fazer face a essas situações de saída de maquinistas para a reforma e para outras funções superiores a nível hierárquico. Em 2007 já deveriam ter dado início aos cursos de formação para novos maquinistas. Mas só agora é que começa um e ainda demora três meses a concluir".

Por tudo isto, "há circulações de comboios que deixam de ser feitas, porque não há maquinistas para as fazer. Mas é porque não existem maquinistas suficientes. Não tem a ver com faltas ao trabalho. Os maquinistas são os elementos que têm o índice de absentismo mais baixo em toda a empresa", frisa o sindicalista.

O DN contactou a administração do Metropolitano de Lisboa para se pronunciar sobre estas questões, mas não recebeu qualquer resposta até à hora de fecho desta edição.|
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