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O bom e o mau génio de John Cale vêm com a sua banda a Famalicão
MARCOS CRUZ LEONARDO NEGRÃO-ARQUIVO DN
Uns dizem que ele teve mais influência na sonoridade original dos Velvet Underground do que Lou Reed; outros afirmam o contrário. O que poucos negarão é que a fase mais estimulante da mítica banda nova-iorquina viveu essencialmente da tensão entre ambos. John Cale, galês de raiz, nascido em 1942, rumou à América para lá deixar marca de génio e, junto de muitos dos que com ele privaram, do seu mau génio. Hoje, varridas ou não, pela idade, as poeiras relacionais, sobra a primeira faceta, de que ele, com a sua Acoustimatic Band, dará conta esta noite (22.00), no Grande Auditório da Casa das Artes de Famalicão.
Após ser "convidado a deixar" (a diplomacia da expressão não combina com o perfil que dele é traçado) os Velvet Underground, vai fazer em Setembro 40 anos, Cale havia de, no início da década de 90, verificar que as coisas não acontecem por acaso. Um disco de homenagem a Andy Warhol, Songs For Drella, embora proporcionando uma reconciliação criativa entre ele e Lou Reed, fê-los redescobrir as diferenças, a ponto de Cale, na sua autobiografia, lamentar ter deixado o autor de Perfect Day assumir a liderança do projecto.
Nos primeiros álbuns dos Velvet, John Cale tocou viola (instrumento para que mais cedo mostrou talento), piano (em que, de igual modo, se notabilizaria) e baixo. Além de compor, uma das marcas que neles imprimiu foram os zumbidos eléctricos amplificados da viola e a veia experimentalista, herdeira também da colaboração anterior com La Monte Young.
A solo, experimentou atmosferas variadas: foi da calma à distorção, da clássica à pop, com um caleidoscópio de nuances pelo meio. Paris 1919, editado em 1973, e Music For A New Society, de 82, são picos dessa carreira. Como produtor, esteve na antecâmara do punk, apadrinhando nomes da estirpe de Patti Smith, The Stooges ou The Modern Lovers. Teve, nos 80, a sua fase mais comercial; conflituou, não só no sentido criativo, com Brian Eno; compôs bandas sonoras; fez e aconteceu. E já não sai da História.|
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