Sexta, 16 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
16.05.08
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NOME: SKOLIMOWSKI


João Lopes
Crítico
Os festivais de cinema podem servir também para corrigir as injustiças da memória: Jerzy Skolimowski, um dos nomes de referência do novo cinema polaco da década de 60 (a par de Roman Polanski, por exemplo), está de volta e com um filme fulgurante. Chama-se Quatro Noites com Anna, foi produzido por Paulo Branco e teve honras de abertura da Quinzena dos Realizadores. Que o filme tenha sido escolhido para abrir a Quinzena, eis o que não pode deixar de evocar um forte simbolismo. De facto, eis uma secção (este ano na sua 40. edição) nascida para celebrar os estilos e diferenças dos autores de todo o mundo. Se Skolimowski pode ser definido nesse campo, e como um genuíno autor: a sua visão do mundo parece enraizar-se na banalidade mais amorfa do quotidiano para, depois, gerar uma impressionante arquitectura de factos concretos e emoções enigmáticas.

Quatro Noites com Anna parte de uma obsessão que duplica a estrutura de Deep End (que Skolimowski dirigiu já na sua fase inglesa, em 1971). No caso de Deep End, tratava-se de filmar a paixão de um adolescente por uma mulher madura; agora, o herói de Skolimowski e um pobre empregado de um hospital, fascinado por uma das suas enfermeiras. Raras vezes se terá visto o amor filmado assim, com este misto de luz e assombramento, transparência e absurdo. Skolimowski não dirigia desde Ferdydurke, há 17 anos: regressa agora para nos oferecer um filme que é já um dos acontecimentos maiores de Cannes 2008. |
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