Sexta, 16 de Maio de 2008
Edição Papel
Director: João Marcelino
Directores adjuntos: Filomena Martins,
Rui Hortelão
Subdirectora: Catarina Carvalho
Lisboa
16.05.08
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Câmara de Lisboa pode rever apoios


LUÍSA BOTINAS e TIAGO PEREIRA
"A Câmara Municipal de Lisboa [CML] não fez ultimatos, pediu à APEL esclarecimentos sobre se a feira vai ou não decorrer nos moldes em que estavam definidos previamente", disse ao DN o porta-voz do autarca da capital. E é a partir da resposta que lhe for dada que decidirá se revê ou não os apoios que tem dado. Até à hora do fecho desta edição, a resposta da APEL ainda não tinha chegado à Praça do Município. O presidente da CML, António Costa, disse ontem aos jornalistas que a autarquia não está disponível para financiar um feira que seja "palco de guerras".

Mas, segundo a autarquia, é bom que seja sublinhado que a iniciativa de organizar a feira pertence à APEL e não ao município. A CML em edições anteriores tem cedido espaço e apoio logístico e para este ano tem orçamentados 200 mil euros de subsídio. O que a câmara quer é que a feira seja uma festa do livro na qual a participação de editores e livreiros seja a mais ampla possível, sublinhou o mesmo responsável.

O diferendo na organização da Feira do Livro chegou também à discussão política. Ontem, o líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa acusou a maioria camarária de incompetência na gestão dos conflitos entre as associações de editores para a organização do evento. Para Saldanha Serra, a maioria PS/BE na câmara municipal foi "preguiçosa, não actuando atempadamente, deixando que a indefinição e a incerteza se arrastassem até ao limite do intolerável".

Ao DN, o presidente da União de Editores Portugueses, Carlos Veiga Ferreira, recordou que "a 10 de Abril a APEL comunicou-nos, por e-mail, que estava disposta a encarar a hipótese de montar pavilhões diferentes. Isso não aconteceu e surgiu este impasse, provavelmente motivado por pressões de outros grande editores, como a Verbo, a Presença ou a Porto Editora, sentindo as ameaças de um grupo tão forte como o Leya", membro da UEP.

Carlos Veiga Ferreira acredita que a feira vai realizar-se, colocando, no entanto, a hipótese de "adiamento das datas", devido aos "atrasos que a montagem tem registado". Afirma também que o Grupo Leya "vai estar na feira": "A sua ausência seria muito negativa. Cerca de 80% dos seus autores são portugueses e com o grupo estão alguns dos mais importantes escritores estrangeiros", disse ao DN.|
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